Dívida de indústrias de açúcar e álcool cai, mas usinas cobram programavoltar

Publicado em : 07/07/2017
Dívida de indústrias de açúcar e álcool cai, mas usinas cobram programa

O endividamento das indústrias de açúcar e álcool apresentou redução neste ano, mas o setor argumenta que a reforma de canaviais está comprometida, há deficiência em pesquisas e em tecnologia no campo e é necessária a implantação de um programa para destravar investimentos.

Estimativa do Itaú BBA aponta que o setor sucroalcooleiro iniciou a atual safra, em março, com uma dívida total de R$ 84 bilhões, ante os R$ 94 bilhões de um ano antes —a conta é feita usando como parâmetro o mesmo nível de endividamento dos grupos atendidos pelo banco.

O banco atende 57 grupos do centro-sul do país, que processaram 411 milhões de toneladas de cana das mais de 600 milhões de toneladas da safra passada.

Esses clientes tinham dívida de R$ 55,7 bilhões no fim da safra 2015/16, montante que se estima ter sido reduzido para R$ 50 bilhões em março. Os dados consolidados serão fechados em agosto, após análise de balanços das usinas.

"Quando olhamos a safra 2015/16, vemos que houve aumento de geração de caixa, mas a dívida ficou estável. Na mostra de clientes que a gente tem, o que vemos é uma redução da dívida [na safra 16/17]. Acreditamos que a safra 17/18 ainda seja boa em termos de geração de caixa e de capacidade de desalavancagem para o setor", afirmou Pedro Barreto, que é diretor de agronegócio do Itaú BBA.


Descarbonização

Para ele, o Renovabio pode contribuir para destravar investimentos maiores caso haja confiança na metodologia de precificação de longo prazo do etanol.

O Renovabio é um programa que prevê criar uma política de descarbonização do transporte e que permitirá, segundo o setor sucroenergético, mais investimentos em capacidade produtiva, chegando a 54 bilhões de litros de etanol em 2030, quase o dobro do volume atual.

A previsão do mercado é que a proposta tramite no Congresso Nacional neste segundo semestre.

Apesar de considerar que a safra 2016/17 foi um "alento", Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da UDOP (União dos Produtores de Bioenergia), disse que o cenário não aliviou muito o endividamento, especialmente de unidades que já estavam em níveis comprometedores.

"Como houve melhoria na rentabilidade, a pressão da dívida diminuiu. O valor não, mas a pressão sim."

De acordo com ele, o entendimento do setor é que, se não houver "compreensão clara" do governo da importância de implantar o Renovabio, será difícil manter a produção atual.

"Alguma coisa vai ter de ser feita. Muitos estão comprometendo a reforma de canaviais e de tecnologia por falta de caixa. Temos problemas de deficiência de pesquisa, de variedades, mas a maior dificuldade hoje é a capacidade financeira de implantar tudo aquilo que já acontece."

Junqueira Franco afirmou ainda que o Renovabio dará direcionamento de longo prazo para o país, por permitir energias limpas, renováveis e por ser sustentável economicamente.

Para o diretor do Itaú BBA, o cenário atual não é atrativo para grandes movimentos em relação a investimentos estrangeiros no setor e, se ocorrerem, serão de maneira mais "tímida".


Queda

A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) estima que a safra 2017/18 será de cerca de 585 milhões de toneladas de cana, ante as 607,14 milhões de toneladas processadas na safra 2016/17.

A redução ocorre principalmente devido à retração na área disponível para colheita e na queda esperada da produtividade agrícola dos canaviais.


Marcelo Toledo


Fonte: Folha de S. Paulo
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