Família Gradin, sócia da Odebrecht, busca ajuda do BNDES para viabilizar usinavoltar

Publicado em : 06/11/2017
Família Gradin, sócia da Odebrecht, busca ajuda do BNDES para viabilizar usina

Protagonista de um dos maiores litígios empresariais do País, família criou projeto de etanol em 2011, após deixar o dia a dia da Odebrecht; negócio, que tem o banco como sócio e já consumiu recursos de R$ 1 bi, tenta novo aporte para conseguir dar resultado.

Cinco anos após investir cerca de R$ 1 bilhão em um projeto de etanol de segunda geração, que usa resíduos da cana-de-açúcar em sua produção, a família Gradin ainda tenta fazer deslanchar o negócio, sua principal aposta para superar a saída tumultuada do dia a dia do grupo Odebrecht, no qual até hoje detém fatia de 20,6%. A briga entre os Gradin e os Odebrecht é uma das maiores disputas societárias em curso no País.

Batizada de GranBio, a empresa, que produz combustível a partir da palha da cana, sofreu reveses em série, que incluíram a paralisação da fábrica, incêndio no estoque de matéria-prima e briga com fornecedores. O projeto atrasou e agora precisa de mais dinheiro.

Para isso, no entanto, os Gradin precisarão da boa vontade do governo. Está prevista para a próxima quinta-feira uma assembleia para discutir com o BNDESPar, braço de participações do BNDES, novo aporte de R$ 250 milhões na empresa. O banco é o maior investidor no projeto: pagou R$ 600 milhões por 15% da GranBio em 2013. Os Gradin investiram R$ 400 milhões. Mas convencer o BNDES a colocar mais dinheiro na empresa não será fácil, afirmam fontes próximas ao banco. Procurado, o BNDES admitiu que novo aporte é necessário, mas disse não ter tomado decisão sobre o tema.

Tecnologia. Ao fundar a GranBio em 2011, Bernardo Gradin, ex-presidente da petroquímica Braskem, fechou parceria tecnológica com a italiana Mossi Ghisolfi (MG), um dos mais importantes grupos petroquímicos do mundo. Os italianos forneceriam maquinário para a usina em Alagoas. Em setembro de 2014, a fábrica começou a rodar. Mas não tardou para ficar claro que a solução vendida não funcionava. A usina só conseguia operar por poucos dias até precisar parar para reparos.

Os Gradin tentaram negociar diretamente com os donos da MG o ressarcimento, mas acabaram, segundo apurou o Estado, apelando para arbitragem na Corte de Londres após a morte de Guido Ghisolfi, em 2015. Um dos herdeiros da MG, ele era o principal interlocutor dos brasileiros. Paralelamente à disputa, os Gradin abriram processo na Justiça de Alagoas para produzir provas e mostrar que a tecnologia dos italianos não funciona.

Para piorar, a MG, com dívida de quase US$ 1 bilhão, entrou em outubro com pedido de concordata na Itália e nos EUA. O episódio reduz as chances de os Gradin serem indenizados pelos prejuízos à GranBio, que somam cerca de R$ 200 milhões, apurou o Estado.

Procurada, a MG não respondeu. A GranBio disse esperar uma solução viável com a MG e que vê a recuperação judicial do grupo como oportunidade. A empresa não confirmou se há arbitragem em curso. 


Fonte: O Estado de S. Paulo
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