Incertezas sobre a safra de cana 2018/19voltar

Publicado em : 28/09/2017
Incertezas sobre a safra de cana 2018/19

As primeiras estimativas para a produção sucroalcooleira do Centro-Sul do país na próxima safra (2018/19), que começará oficialmente em abril, ainda indicam muita incerteza no segmento sobre os efeitos dos investimentos nas lavouras que estão em curso nesta temporada e das variações de preços nos mercados de açúcar e etanol.

Ainda que o plantio de cana em novas áreas e também para renovar lavouras que estão ficando velhas esteja em alta, esse esforço não deverá ser suficiente para reverter a tendência geral de envelhecimento dos canaviais na região, afirmou Lucas Brunetti, analista do banco Pine, durante o Novacana Ethanol Conference, realizado ontem em São Paulo.

Como trabalha com um cenário em que a idade média dos canaviais do Centro-Sul aumentará de 3,55 anos para 3,6 anos, em média, Brunetti estima que a moagem de cana na próxima safra alcançará 560 milhões de toneladas, menos que o estimado para 2017/18 (590 milhões).

"Apesar de ter uma renovação maior, o movimento não chegará a reverter a tendência de aumento da idade média do canavial. Se tivesse mais renovação, reverteria", disse.

É a mesma avaliação da trading francesa Sucden. E, conforme Eduardo Carvalho, trader da empresa, também deverá pesar negativamente sobre a produtividade das lavouras o clima mais seco que a média registrado neste inverno. A projeção da Sucden é de moagem de 592 milhões de toneladas em 2018/19, ante 594 milhões na temporada atual.

Fabio Meneghin, sócio da Agroconsult, concorda com essa limitação, mas considera que os gastos com tratos culturais têm melhorado nesta safra e projeta aumento da moagem no Centro-Sul, de 590 milhões de toneladas em 2017/18 para 625 milhões no próximo ciclo. De acordo com Meneghin, a produtividade das lavouras deverá subir de 74 para 77 toneladas por hectare.

Segundo ele, as entregas de fertilizantes para a cultura corroboraram a expectativa de melhora, embora a adubação ainda esteja abaixo do recorde da safra 2008/09, quando foram utilizados 600 quilos por hectare nos canaviais. "Estamos 20% abaixo desse recorde. Mas já estivemos mais de 50% abaixo", considerou.

Essas visões divergentes para a moagem de cana em 2018/19 também geram estimativas distintas para a produção de açúcar. O banco Pine projeta redução na produção do Centro-Sul de 9,9% ante 2017/18, para 32,9 milhões de toneladas.

No tabuleiro da Sucden, a produção de açúcar na região deverá recuar de 35,8 milhões de toneladas no ciclo corrente para 34,5 milhões de toneladas no próximo. Já a Agroconsult, que trabalha com uma estimativa de produção de 34,7 milhões de toneladas de açúcar para esta safra, prevê um incremento de 2,9% na safra 2018/19, para 35,7 milhões de toneladas.

Os cenários traçados não consideram alterações bruscas no clima nos próximos meses - algo que nunca está descartado. A princípio, porém, os efeitos negativos das recentes intempéries, como a falta de precipitações nos últimos meses e geadas especialmente em algumas regiões dos Estados do Paraná e de Mato Grosso do Sul, já foram considerados.

 


Fonte: Valor Econômico
  • Imprima
    esse Conteúdo
  • Envie para
    um amigo
  • Compartilhar
    o conteúdo
  •  
  •  
  •  
  •  
  •