Por um fiovoltar

Publicado em : 29/05/2017
Por um fio

Definitivamente essa não foi uma semana para celebrações no mundo do açúcar. Todas as bruxas foram soltas e todos os cisnes negros rondaram os céus escuros do mercado.

Primeiro, a China com o imposto de importação sobre o açúcar de determinadas origens, entre elas o Brasil. Como o preço do mercado interno chinês está o dobro do preço no mercado internacional, o ágio incentiva o aumento do fluxo de açúcar da Tailândia para Myanmar, que depois ingressava na China. A China quer evitar isso e colocou um imposto de 95%. O Brasil é o país mais prejudicado.

Depois disso, a Petrobras anunciou de maneira inesperada, na quinta-feira, dia 25, uma redução de 5.4% no preço da gasolina para as refinarias. Numa semana em que o real se desvalorizou fortemente em relação ao dólar por conta da turbulência política que atinge Brasília e, em que o petróleo se recuperava lentamente no mercado internacional, a atitude da Petrobras pode ter parecido ilógica.

Alguns cálculos comentados pelo mercado dão conta de que a empresa deveria aumentar o preço ao invés de reduzí-lo. No entanto, efetivamente, havia espaço para a redução no preço da gasolina pelo critério que usamos que compara o preço interno ao consumidor com o preço médio da gasolina em 100 países. Por esse critério, pelos cálculos da Archer, o preço justo da gasolina na bomba em São Paulo, deveria ser de R$ 3,1500 o litro. Na semana passada, o preço médio negociado na cidade de São Paulo, segundo a ANP foi de R$ 3,3570 o litro. O problema, no caso da Petrobras, foi o timing.

A estatal brasileira do petróleo, preocupada com a queda nas vendas de combustível, entendeu que o melhor momento era agora. Essa alteração, no entanto, fez com que grande parte dos analistas, inclusive este humilde escriba, mordesse a língua. Em especial quando o anúncio da empresa vem um par de horas após termos enviado aos nossos clientes um relatório em que dizíamos acreditar “que já vimos a baixa do açúcar este ano (15.12 centavos de dólar por libra-peso dia 27 de abril) e, apenas em condições extremamente desfavoráveis no campo político e econômico no Brasil fariam com que NY negociasse abaixo de 15 centavos de dólar por libra-peso”. O problema, no caso desse escriba, foi o timing.

Evidentemente, quando diferentes critérios apontam para direções diferentes, o problema reside na transparência da formação de preço. Quem pagou o pato, mais uma vez, foi o setor sucroalcooleiro: redução no preço da gasolina afeta o preço do etanol e aumenta a possibilidade de um mix de produção mais açucareiro possível, pressionando os preços do açúcar na bolsa de NY.

Por último, a UNICA divulgou a moagem e produção do Centro-Sul na primeira quinzena de maio e os números foram menores do que o ano passado, mas o mercado não gostou. Se o clima permitir, o mercado trabalha com uma moagem em torno de 586 milhões de toneladas de cana e uma produção de 35.5 milhões de toneladas de açúcar. Se o tempo permitir !!! A capacidade máxima de moagem, assumindo 85% de aproveitamento, está em torno de 629 milhões de toneladas de cana. O Centro-Sul deve moer 2.5 milhões de toneladas de cana por dia. Se tivermos um inverno chuvoso como em 2010, a produção pode ser comprometida.

Bem, o mercado em NY ainda não negociou abaixo dos 15, mas fez novas baixas: na sexta-feira, o vencimento julho/2017 bateu 15.02 centavos de dólar por libra-peso, fechando “heroicamente” nos 15.05 centavos de dólar por libra-peso.

E agora? O que fazer? É tentador, para as usinas, recomprarem seus hedges (desde que tenham suas contas de futuros próprias) pois, da mesma forma que não existe mercado que permanece indefinidamente dando altos retornos sobre o custo de produção, como ocorreu no período de outubro do ano passado até o início deste ano, não existe mercado que fica indefinidamente abaixo dele, num cenário de médio e longo prazo que é fundamentalmente construtivo.

Os consumidores industriais podem estar diante de uma excelente oportunidade de compra de insumos ou de fixação de preços.

A 28ª. Edição do Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo - SP, no Hotel Paulista Wall Street. Não deixe para a última hora e aproveite os descontos.

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Bom final de semana a todos.

Arnaldo Luiz Corrêa

 

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Este relatório foi preparado pela Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda para uso exclusivo do destinatário, podendo, no entanto, ser reproduzido ou distribuído por este a qualquer pessoa desde que citada a fonte. Este relatório é distribuído somente com o objetivo de prover informações e não representa, em nenhuma hipótese, uma oferta de compra e venda ou solicitação de compra e venda de qualquer instrumento financeiro ou serviço. As informações contidas neste relatório são consideradas confiáveis na data na qual este relatório foi publicado. Entretanto, as informações aqui contidas não representam por parte da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda garantia de exatidão das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas, e não devem ser consideradas como tal. As opiniões contidas neste relatório são baseadas em julgamentos e estimativas, estando, portanto, sujeitas a mudança.

 


Fonte: Archer Consulting
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