Ritmo de moagem volta ao "normal"voltar

Publicado em : 26/10/2017
Ritmo de moagem volta ao "normal"

Se na safra passada as usinas do Centro-Sul encerraram a moagem de cana mais cedo do que o costume, nesta temporada 2017/18 a tendência é que as atividades terminem mais perto da época considerada normal, entre o fim de novembro e o início de dezembro.

Até o fim da primeira quinzena de outubro, 18 usinas da região já haviam desligado as máquinas, ante 32 no mesmo período do ciclo passado. Parte da queda do número é explicada pelo atraso do início da moagem nesta safra, por causa das fortes chuvas em importantes polos.

De um universo de 200 usinas pesquisadas pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), 120 tendem a terminar o processamento da matéria-prima alguns dias mais tarde do que aconteceu na safra passada, segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da entidade. As demais 80 deverão parar antes. Padua estima que haverá uma concentração de encerramento dos trabalhos na segunda quinzena de novembro, mas ressalva que algumas plantas continuarão em atividade.

Independentemente desses movimentos, a Unica estima que sua projeção inicial de moagem (585 milhões de toneladas), será alcançado até o fim do ciclo, em março.

Mas o cenário traçado pela Unica não é uma unanimidade. Alguns analistas acreditam que boa parte das usinas do Centro-Sul moerá cana em dezembro. Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, calcula que 50,8% das usinas concluirão o processamento após novembro. Em 2016/17, 64% das usinas pararam as atividades até novembro.

Juliano Merlotto, sócio da FG/A, avalia que o rendimento industrial maior também colabora para prolongar a moagem. "As usinas podem ter diminuído o ritmo de moagem porque as fábricas de açúcar e etanol não estão dando conta do ATR [açúcar total recuperável]".

Ainda assim, a aproximação da entressafra já oferece sustentação aos preços do etanol, segundo analistas. Desde o início do mês, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado em Paulínia (importante polo paulista de distribuição) subiu 5,23% e alcançou R$ 1.621 o metro cúbico no dia 20. Nas usinas de São Paulo, o indicador Cepea/Esalq acumula alta de 7% em cinco semanas, atingindo R$ 1,5368 o litro último no dia 20.

Essa elevação também é impulsionada por outros fatores, incluindo a forte recuperação da demanda por etanol, que está mais competitivo que a gasolina em importantes Estados consumidores, e a própria alta da gasolina na bomba.

Como as usinas têm maximizado o uso de suas capacidades de produção de etanol nas últimas quinzenas, a expectativa é que a oferta não fique inferior à da safra passada. "Com as importações que ocorreram e com essa safra mais alcoólica, teremos uma entressafra normal tanto para o hidratado quanto para o anidro", diz Padua.

Na safra passada, o preço médio do etanol na bomba em São Paulo ficou em 70% do valor da gasolina, justamente a paridade que lhe garante competitividade. Para que a média desta safra alcance a da passada, esse percentual tem que subir dos atuais 67% para 72%, conforme Willian Hernandes, sócio da FG/A.

Por Camila Souza Ramos

 


Fonte: Valor Econômico
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