20 anos do programa IAC-Quepia, que tornou mais segura a atividade do trabalhador rural brasileiro aplicador de agrotóxicos
16-04-2026

Iniciativa financiada com recursos privados, coordenada pelo Centro de Engenharia e Automação do IAC, será celebrada no evento de Ribeirão Preto;

IAC-Quepia ‘colocou’ a pesquisa e as normas da ISO na ‘roupa’ do trabalhador

Não havia normas técnicas, não havia certificação na área. Vinte anos atrás, o trabalhador rural brasileiro aplicador de agrotóxicos utilizava vestimentas protetivas agrícolas, os equipamentos de proteção individual (EPI agrícolas), sem saber ao certo em que medida estava seguro, face a implicações decorrentes do manuseio de produtos químicos. Essa realidade começou a mudar com o avanço do programa IAC de Qualidade de EPI na Agricultura (IAC-Quepia), que completa vinte anos de história na Agrishow.

“O ‘Quepia’, na prática, colocou a pesquisa e as normas internacionais da ISO – International Standartization Organization – na ‘roupa’ de trabalho dos aplicadores de agrotóxicos brasileiros”, explica Hamilton Ramos, coordenador do programa e pesquisador científico do CEA-IAC, em Jundiaí-SP. O órgão atua vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP.

“No Brasil, auxiliamos a indústria a buscar certificações baseadas nas normas da ISO para validar a qualidade de seus EPI agrícolas”, ressalta Ramos. “Esse modelo de ação transfere um aval de credibilidade ao fabricante dos equipamentos, por meio da concessão do Selo IAC-Quepia a produtos aprovados em testes e pesquisas de ponta, em laboratório”, ele resume.  

Resultante de uma parceria entre o setor privado e o Centro de Engenharia e Automação (CEA), do Instituto Agronômico (IAC), o programa IAC-Quepia tem entre seus desdobramentos, na linha do tempo, reduções de 80% a 90% na reprovação de qualidade de vestimentas agrícolas produzidas no Brasil.

História e protagonismo para exportação

Segundo Ramos, nos dias de hoje os principais processos de avaliação de qualidade das vestimentas protetivas agrícolas são regidos, dentro e fora do Brasil, com base em normas internacionais, como a ISO 27065. E o Brasil, através do ‘Quepia’, como membro e representante da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas -, participa, nacional e globalmente, do desenvolvimento e de inovações atreladas às normas NBR e ISO para EPI agrícolas.

Ramos conta que no início dos anos de 2000, o CEA-IAC já estudava a avaliação da exposição ocupacional de trabalhadores rurais. Nessa época, o órgão de pesquisas do IAC e o Ministério do Trabalho e Emprego, sob demanda da citrícola Fischer, iniciaram um processo de avaliação da eficácia de vestimentas empregadas, na empresa, no manuseio de agrotóxicos.

“Ficou evidente, então, a ausência de normas e parâmetros adequados para definir o grau de segurança de tais equipamentos”, salienta Ramos. Frente ao cenário, ele acrescenta, pesquisadores do CEA-IAC e fabricantes de EPI agrícolas buscaram apoio da Animaseg – Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho – e da ABNT. Nasceu, assim, o ‘embrião’ do IAC-Quepia: a CE 32:006:03 ou Comissão de Estudos de Luvas e Vestimentas de Proteção para Riscos Químicos – Agrotóxicos.

Desde então, lembra Ramos, o laboratório do IAC-Quepia, mantido na sede do CEA-IAC, na cidade de Jundiaí, alvo de investimentos e ampliações ano após ano, tornou-se referência, na América Latina, no desenvolvimento de estudos e avaliações de normas da ISO para vestimentas protetivas agrícolas.

“Todos os testes conhecidos no mundo, na área, podem ser feitos em Jundiaí”, complementa o pesquisador.

“O Brasil figura na posição de país detentor de mais informações sobre a qualidade de vestimentas protetivas agrícolas”, continua Ramos. A relevância e os resultados robustos dos trabalhos de pesquisa do Quepia, ele observa, também colocaram o IAC entre os membros do Consórcio Mundial de Qualidade de EPI, juntamente ao Ministério da Agricultura da França e à Universidade de Maryland Eastern Shore (EUA).

Das realizações mais recentes do IAC-Quepia, Hamilton Ramos destaca a transferência de conhecimento da pesquisa brasileira na área a países de clima quente e baixa renda per capita, sobretudo na África. “Entregamos suporte especializado sobre materiais adequados à confecção de vestimentas e ainda ajudamos empresas do setor a reduzir custos com tecnologias.”

A trajetória de Ramos enquanto pesquisador do setor de EPI o levou a ser considerado, no Brasil e no exterior, um precursor da inovação atrelada à proteção do trabalho rural. Nas indústrias de pesticidas e de vestimentas protetivas, sobretudo, são atribuídos a ele estudos tecnicamente decisivos para a evolução continuada da qualidade tecnológica de vestimentas e luvas para aplicadores brasileiros de pesticidas.

Programa Quepia
Assessoria de Imprensa na Agrishow
BIA – Bureau de Ideias Associadas, Imprensa e Com. Est.
Fernanda Campos
Marcelo Quaglio