A biomassa é ou não um bom negócio para o setor?
11-08-2016

O 2º Seminário sobre Biomassa da Cana-de-açúcar & Cia, que ocorreu ontem no Centro de Convenções de Ribeirão Preto, reuniu quase 200 pessoas de diversos segmentos. Queriam conhecer mais sobre a viabilidade de se investir em novos negócios visando a biomassa que vem do canavial convencional, como bagaço, palha, ponteiros, bem como a biomassa de uma planta que tende a ser cada vez mais valorizada pelos produtores: a cana-energia.

Na abertura do 2º Seminário sobre Biomassa da Cana-de-açúcar & Cia, Dib Nunes, diretor do Grupo IDEA, deu estaque ao principal foco do evento em 2016. “A biomassa é uma nova área de negócios que surge com pesados investimentos em plantas e pesquisas, com milhões e milhões de gastos todos os anos.”

Este tema ganhou maior destaque em 2016, com a Conferência COP-21, em Paris, que aprofundou o debate mundial sobre o aquecimento global. “Praticamente todo dia batemos o recorde de dia mais quente desde que começamos a medir a temperatura”, diz o pesquisador Jaime Finguerut, do Centro de Tecnologia Canavieira. “Nunca tivemos teores de CO2 na atmosfera tão altos”, diz.

É um grande alerta, mas que também traz muitas oportunidades. Segundo Dib, grandes empresas multinacionais criara departamento especializado para desenvolver e aproveitar não só a biomassa vegetal, mas também resíduos de toda natureza, como lixo, vidro, pneus, papel.

Quando se fala da preocupação global com o clima, Jaime Finguerut, assessor técnico do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), é bem taxativo: a cana-de-açúcar é solução. Mas não apenas por meio da produção de etanol, açúcar e bioeletricidade.

“Na verdade, as grandes emissões do mundo todo, principalmente causadas na China, são causadas por materiais de construção. Cimento, aço, segmentos em que há grande crescimento. Mas a biomassa, além de fazer comida e energia, também pode nos dar a base para a bioeconomia, inclusive atendendo o mercado de construção.”

Finguerut destaca que a cana tem dez vezes mais potencial de biomassa do que a soja, por exemplo.

OPORTUNIDADE
O setor sucroenergético brasileiro não pode perder essa oportunidade. Um segmento que esmaga anualmente cerca de 650 milhões de t, deixando no campo mais de 15% cesse volume em pontas, palhas e pedaço de colmos. “Na indústria também se produz aproximadamente 160 milhões de t de bagaço, sendo que deste total se aproveita 17,5% para cogerar e fornecer ao mercado.”

A cana já responde por quase 17% dessa matriz energética brasileira (etanol e bioeletricidade). Esta última teve aumento significativo nos últimos anos, sendo que representa 8,8% da matriz elétrica nacional. Um patamar significativo. “Mesmo com a queda no consumo da energia elétrica, o setor canavieiro continua crescendo e temos ainda enorme espaço para elevar a bioeletricidade se considerarmos que 17,3% da energia elétrica ainda é gerada por fontes fósseis.”

Produto já consolidado para a agroindústria da cana-de-açúcar, a bioeletricidade será abordada em várias palestras ao longo do dia de hoje no 2º Seminário de Biomassa da Cana & Cia. Além disso, o potencial para negócios de vários outros produtos oriundos da biomassa da cana será enfocado, como a produção de pellets e briquetes, óleos, argamassa leve, etanol 2G, papel e celulose.

“Esperamos que a segunda edição do seminário não apenas traga novos negócios a partir da biomassa da cana, como também seja um marco e o início de um grande ciclo para esta agroindústria, uma vez que o mundo inteiro inicia tem o desafio de desenvolver produtos ecologicamente sustentáveis que substituam a energia fóssil.”

 

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