Açúcar despenca na bolsa de Nova York
07-12-2023
Perspectivas favoráveis à produção brasileira pressionaram as cotações internacionais
Por Camila Souza Ramos — São Paulo
As cotações do açúcar demerara despencaram nesta quarta-feira (6/12) na bolsa de Nova York diante das perspectivas favoráveis para a produção brasileira. Os contratos de maior liquidez, que vencem em março, encerraram o pregão com recuo de 7,85%, ou 196 pontos, a 23 centavos de dólar a libra-peso.
“O mercado está antecipando uma safra maior que o esperado para o Centro-Sul, de 635 milhões de toneladas de cana", afirmou Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado. Para a próxima temporada, os participantes do mercado esperam mais um crescimento da moagem de cana, para 650 milhões de toneladas na região.
Com a forte produção da safra atual, a entressafra deverá ser bem abastecida, afirmou. Além disso, a moagem deverá se estender por mais tempo por causa do volume elevado de matéria-prima para ser processado. Ele estima que ainda haverá usinas em operação em janeiro, enquanto normalmente as plantas encerram as atividades em dezembro.
Marcelo Filho, analista da StoneX, acredita que o mercado também possa ter especulado diante da queda dos preços domésticos do açúcar na Índia, embora ele não acredite que a produção do país tenha alguma recuperação. Em novembro, a produção veio quase 10% abaixo do registrado um ano atrás. “Ainda que [a Índia] produza mais agora, a perspectiva para a próxima safra também é ruim, e o governo deve segurar estoques”, avalia.
Para Filho, o mercado pode estar buscando uma acomodação após os preços atingirem a máxima de 28 centavos de dólar a libra-peso recentemente.
Outro fator para a baixa de hoje foi a queda do petróleo, que reduz ainda mais a competitividade do etanol no mercado brasileiro e favorece a maximização da produção de açúcar, segundo os especialistas.
Café
As cotações do café também cederam na bolsa de Nova York. O mercado segue volátil, uma vez que os participantes ainda buscam elementos para antecipar qual será o tamanho da próxima safra brasileira.
Os contratos do arábica com vencimento em março fecharam em queda de 4,63%, a US$ 1,7525 a libra-peso.
Os agentes seguem apreensivos quanto aos efeitos do clima quente e seco na próxima colheita brasileira. César Castro Alves, do Itaú BBA, disse ontem a jornalistas que as altas temperaturas afetaram as árvores de arábica e fizeram cair alguns frutos que se desenvolveram após as floradas de setembro. “Talvez no fim de janeiro teremos clareza do que a planta segurou”, afirmou.
Cacau
No mercado do cacau, os contratos mais negociados, com vencimento em março, fecharam em alta de 0,49%, ou US$ 20, cotados a US$ 4.126 a tonelada.
O oeste da África vem enfrentando problemas em sua produção, o que está determinando mais um cenário de déficit global de oferta. Além do baixo volume de entrega de cacau nos portos, algumas regiões também estão registrando amêndoas de baixa qualidade.
Segundo a Dow Jones Newswires, 5% da produção de cacau do Estado de Cross River, um dos maiores produtores da Nigéria, está com umidade. Um trader disse à agência que os comerciantes estão misturando os diferentes tipos de cacau para melhorar a qualidade do produto entregue às indústrias.
Algodão
Os contratos do algodão com vencimento em março tiveram oscilação positiva, com avanço de 0,09%, ou 7 pontos, a 79,75 centavos de dólar a libra-peso.
Suco de laranja
Os contratos do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para janeiro fecharam em queda de 1,22%, a US$ 3,618 a libra-peso.
Fonte: Globo Rural

