Açúcar e etanol iniciam 2026 pressionados por oferta global e avanço do etanol de milho
28-01-2026
Relatório da StoneX aponta viés baixista para o açúcar e maior competição estrutural no mercado de biocombustíveis
Por Andréia Vital
O mercado de açúcar e etanol entra em 2026 condicionado por um cenário de oferta mais confortável e por mudanças estruturais na matriz de produção de biocombustíveis, segundo a 34ª edição do Relatório de Perspectivas de Commodities da StoneX. O estudo destaca que a combinação entre recuperação produtiva em grandes países produtores, avanço do etanol de milho e preços mais baixos da energia fóssil tende a limitar movimentos altistas no curto prazo.
No mercado internacional, o açúcar bruto negociado na bolsa de Nova York acumulou queda superior a 22% em 2025, com recuo de 425 pontos em relação ao fim de 2024. As cotações encerraram o ano próximas de US¢ 15 por libra peso, patamar considerado confortável pelos fundamentos atuais, mas ainda pouco atrativo para estimular novos investimentos em diversos países produtores.
De acordo com o relatório, o balanço global de açúcar para a safra 2025/26 indica superávit, sustentado principalmente pela recuperação da produção na Índia e na Tailândia. No Brasil, a StoneX projeta que, caso as chuvas fiquem próximas da média histórica, o esmagamento de cana na região Centro Sul pode alcançar cerca de 620,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, favorecido por canaviais mais jovens após o aumento do replantio em 2024.
No etanol, o relatório aponta uma transformação estrutural do mercado brasileiro. A produção a partir do milho deve responder por aproximadamente 29% da oferta total já na safra 2025/26. A StoneX identificou mais de 40 projetos de usinas de etanol de milho anunciados ou registrados, com potencial de o número de plantas superar 70 unidades até o fim da década e capacidade instalada acima de 23 bilhões de litros.
Para a safra 2026/27, a expectativa é de que o preço médio do etanol hidratado na origem, sem frete, em São Paulo recue de R$ 3,39 por litro em 2025/26 para cerca de R$ 3,21 por litro. A paridade com a gasolina deve permanecer próxima de 66%, com o etanol hidratado alcançando participação próxima de 29% do consumo, cenário que absorve a oferta recorde, mas tende a pressionar as margens das usinas.

