Açúcar reage, mas política indiana limita oferta global
23-03-2026

Recuperação de preços esbarra em superávit e posição vendida

Andréia Vital

Os preços do açúcar apresentaram reação em março, mas seguem limitados por um cenário global de oferta confortável. As informações são do Agro Mensal de março da Consultoria Agro do Itaú BBA, que analisa os principais vetores do mercado.

Após atingirem cerca de 13,7 centavos de dólar por libra-peso em fevereiro, as cotações avançaram para aproximadamente 14,4 centavos por libra-peso em março, conforme o relatório. A alta foi sustentada principalmente pela valorização do petróleo, que aumenta a competitividade do etanol e reduz a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.

Outro fator de suporte veio da revisão da produção da Índia para 28,3 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que limita o potencial exportador do país. Para a safra 2026/27, o Agro Mensal indica que a produção indiana pode apresentar recuperação apenas moderada, condicionada ao comportamento das monções.

Mesmo em um cenário climático mais favorável, a política de estímulo ao etanol segue como um limitador estrutural da oferta de açúcar, reduzindo a disponibilidade exportável e aumentando a sensibilidade do mercado global às decisões energéticas da Índia, segundo a análise.

Apesar desses fatores de suporte, o mercado continua pressionado pelo posicionamento dos fundos, com cerca de 250 mil contratos líquidos vendidos, refletindo a expectativa de superávit global. No Centro-Sul, a safra 2026/27 deve ter moagem entre 620 milhões e 635 milhões de toneladas, com recuperação condicionada ao clima, ainda de acordo com o relatório.

No mercado de biocombustíveis, os preços do etanol voltaram a subir no início de março, sustentados pelo cenário energético e pela entressafra no Centro-Sul. O etanol hidratado foi negociado a R$ 2,94 por litro em Paulínia, alta de 3,4% em relação ao fim de fevereiro.

O movimento reflete a menor oferta típica do período e a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo aumento das tensões geopolíticas. O avanço dos preços de energia elevou o prêmio de risco e reforçou a sustentação do biocombustível.

O reajuste do diesel pela Petrobras também contribuiu para reduzir o espaço para quedas mais intensas no mercado doméstico. Esse ambiente, segundo o Agro Mensal, influencia diretamente o mix produtivo das usinas, incentivando maior destinação da cana-de-açúcar para etanol no início da safra 2026/27. A paridade com a gasolina segue como principal referência de competitividade, em um cenário marcado por maior volatilidade nos mercados de energia.