Açúcar sobe em NY após dados ruins sobre safra no Brasil
27-03-2024

Coalizão Americana do Açúcar está pressionando o governo local para reduzir as importações do produto do México — Foto: Ivan Bueno/APPA
Coalizão Americana do Açúcar está pressionando o governo local para reduzir as importações do produto do México — Foto: Ivan Bueno/APPA

A possibilidade de aumento da demanda pelos EUA também deu impulso para as cotações na bolsa

Por Paulo Santos — São Paulo

Os preços do açúcar subiram de maneira consistente na bolsa de Nova York, diante de prognósticos negativos para a safra brasileira em 2024/25, e também pela possibilidade de aumento da demanda dos EUA. Os contratos do demerara fecharam em alta de 2% na sessão desta terça-feira (26/3), negociados a 22,39 centavos de dólar por libra-peso.

Como o mercado já trabalha há tempos com a chance de uma safra menor no Brasil, Maurício Murici, analista da Safras & Mercado, diz que o principal vetor de alta para o açúcar está nas indicações de que os EUA podem aumentar a importação da commodity.

“A grande novidade para o mercado é que a Coalizão Americana do Açúcar está pressionando o governo local para reduzir as importações do produto do México, abrindo assim espaço para a importação de outras origens. A leitura que os agentes fazem sobre essa notícia, é que a demanda mundial pode crescer, já que as trocas entre os países acontecem por quotas”, observa.

Apesar do pedido da entidade, o analista diz que o governo americano ainda não se posicionou sobre o assunto. Com uma demanda anual que gira entre 11,3 milhões de toneladas a 11,5 milhões, os EUA importam, por ano, entre 2,8 milhões de toneladas a 3,3 milhões de açúcar de todas as origens.

Outro fator que já entrou no radar do mercado, é a menor oferta de cana-de-açúcar no Brasil. Segundo estimativas da Safras & Mercado, a moagem deverá atingir 610 milhões de toneladas na temporada 2024/25, que se inicia em abril. O número seria menor que as 650 milhões previstas para a atual temporada, mas ficaria abaixo das 670 milhões de toneladas esperadas inicialmente.

“Os investidores vêm assimilando as projeções de queda na produção no Brasil há 30 dias. Apesar disso, a alta nos preços em Nova York não é tão grande, já que a produção de açúcar brasileira deve continuar firme”, projeta Muruci.

Nos cálculos da Safras & Mercado, a oferta de açúcar do Brasil deverá seguir estável no ciclo 2024/25 na comparação com a temporada anterior, podendo atingir 42 milhões de toneladas.

Café

Novamente o café arábica subiu em Nova York, apoiado pelas movimentações do tipo robusta na bolsa de Londres. Os lotes do arábica para maio avançaram 1,29%, a US$ 1,8805 a libra-peso.

O café robusta segue com valores expressivos na bolsa de Londres, negociado acima de US$ 3.300 na bolsa londrina, já que o mercado segue preocupado com a restrição de oferta nos principais países produtores, como Vietnã e Indonésia.

Cacau

Os recordes sucessivos do cacau na bolsa de Nova York abriram espaço para uma correção nos contratos futuros, mas que ainda seguem em patamares históricos. Os lotes para maio fecharam em queda de 0,28%, com o valor de US$ 9.622 a tonelada.

Suco de laranja

No mercado do suco de laranja, os contratos do produto concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para maio avançaram 0,58%, a US$ 3,7310 a libra-peso.

Algodão

Nos negócios do algodão, por sua vez, os papéis com entrega para maio fecharam em alta de 1,51%, para 93,41 centavos de dólar por libra-peso.

Fonte: Globo Rural