Açúcar sobe quase 4% em Nova York após disparada do petróleo
30-04-2026
Segundo analista, mercado também enxerga menor oferta do produto no curto prazo
Por Paulo Santos — Campina Grande (PB)
O açúcar demerara disparou na bolsa de Nova York, mais uma vez impactado pelas oscilações do petróleo, e ainda pela percepção de menor oferta. Os contratos para julho fecharam em alta de 3,79%, a 14,77 centavos de dólar a libra-peso.
De acordo com Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, com alta de mais de 6%, o petróleo contribuiu para a valorização do açúcar.
“A alta do petróleo impacta o açúcar, pois eleva o preço da gasolina em Nova York, que chegou ao maior valor em três anos. Isso reflete também no Brasil, que deve ter um combustível mais caro, beneficiando a produção do etanol e reduzindo a do açúcar”, disse o analista.
Ainda na avaliação dele, o açúcar vem subindo após proposta do governo para elevar a mistura de etanol na gasolina, que deve ocasionar na menor oferta de açúcar.
A queda na produção já é uma realidade para o mercado. Nesta semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou redução de 0,5% na produção de açúcar no Brasil, que deve chegar a 43,95 milhões de toneladas. O país é o maior exportador do mundo.
Muruci reforça que todas essas notícias favorecem a alta do açúcar em Nova York no curto prazo. Essa oscilação, no entanto, tem um teto, considerando o tamanho da produção global.
“Apesar da previsão de menor oferta no Brasil e Tailândia, ainda há chance de superávit mundial, que deve ficar entre 9 milhões e 10 milhões de toneladas em 2026/27. Mesmo que menor que as 11 milhões da safra anterior, ainda é um cenário de superávit”, observa.
Suco de laranja
Pelo segundo dia consecutivo, o suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) registrou forte alta na bolsa de Nova York. Os lotes para maio avançaram 6,28%, cotados a US$ 1,8440 a libra-peso.
Apesar da forte oscilação, Jack Scoville, do Price Futures Group, disse em boletim que as altas são fruto de compras especulativas, uma vez que as condições de clima permanecem favoráveis para as principais regiões produtoras da fruta.
Cacau
Ainda direcionado por ajustes técnicos, o cacau registrou leve alta em Nova York. Os contratos com vencimento em julho avançaram 0,89%, a US$ 3.410 a tonelada.
As notícias no campo da oferta não são favoráveis para o mercado. Segundo estimativa da StoneX, a produção de cacau no mundo deve superar a demanda em 149 mil toneladas no ciclo 2026/27, que se inicia em outubro. Se confirmado, o volume ficará abaixo das 247 mil esperadas para a temporada atual.
Algodão
O preço do algodão registrou leve queda na bolsa de Nova York. Os contratos para julho recuaram 0,59%, para 79,20 centavos de dólar por libra-peso.
Café
O preço do café encerrou a sessão de hoje com preços estáveis. Os contratos com entrega para julho permaneceram cotados a US$ 2,9070 a libra-peso.
Fonte: Globo Rural

