Adecoagro aposta em biometano e inovação para reduzir custos e ampliar competitividade do etanol
18-09-2025
Renato Junqueira destacou projetos em biocombustíveis do futuro, SAF e até mineração de bitcoins como parte da estratégia de diversificação
Por Andréia Vital
O vice-presidente de açúcar, etanol e energia da Adecoagro, Renato Junqueira Santos Pereira, afirmou durante o painel “Inovações no setor sucroenergético: biocombustíveis do futuro e soluções sustentáveis”, na Conferência NovaCana 2025, realizada em São Paulo, nesta segunda e terça-feira (15 e 16), que a companhia possui iniciativas em praticamente todos os pilares da lei do Combustível do Futuro. Em etanol, a empresa está pronta para atender a mistura E30 e, eventualmente, E35, com certificações internacionais que permitem exportar ao padrão europeu.
O destaque, porém, é o biometano. A companhia já produz cerca de 8 mil Nm³/dia no Mato Grosso do Sul, usados para substituir diesel em caminhões, motobombas e veículos leves. Com financiamento da Finep, a capacidade deve saltar para quase 40 mil Nm³/dia, aproveitando cerca de 25% da vinhaça disponível. “O potencial é multiplicar por cinco vezes a produção, reduzindo custos e fortalecendo a sustentabilidade”, disse.

A Adecoagro também desenvolve com a Fermentec um projeto de “diesel verde” a partir de leveduras, que acumulam óleos em contato com vinhaça. O produto pode substituir o diesel ou insumos industriais. Já no campo do SAF (combustível sustentável de aviação), a companhia acompanha de perto os avanços tecnológicos, mas adota cautela. “As rotas ainda não estão maduras; preferimos aguardar para entrar no momento certo”, disse.
Outro campo em análise é o armazenamento de carbono (CCS), aproveitando o CO₂ concentrado das colunas de fermentação. “É um projeto em estudo, mas que pode abrir nova frente de descarbonização”, afirmou.
Outro pilar em análise é o CCS/BECCS, com potencial de sequestro do CO₂ emitido na fermentação (cerca de 0,8 tonelada por m³ de etanol). Há ainda um projeto inovador de mineração de bitcoins utilizando 10 MW de energia renovável. Para o executivo, a diversificação cria sinergia com a infraestrutura energética da empresa.
Para Junqueira, a estratégia é clara: adotar tecnologias que reduzam custos e ampliem a longevidade do etanol de cana, enquanto o etanol de milho ganha participação acelerada. Ele lembrou que novas demandas, como máquinas agrícolas movidas a etanol, podem abrir frentes adicionais de consumo.

