Agro paulista exporta US$ 906 mi para Índia em 2025
08-04-2026

Algodão lidera crescimento com alta de 160% nas exportações

Andréia Vital

O agronegócio paulista movimentou US$ 906,5 milhões em exportações para a Índia em 2025, com embarques de cerca de 2 milhões de toneladas. O país asiático consolidou-se como o segundo principal destino do agro de São Paulo na Ásia, atrás da China, e ocupa a quarta posição no ranking global, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

O complexo sucroalcooleiro liderou a pauta exportadora, com participação de 76,8% e receita de US$ 696 milhões. Na sequência, aparecem o óleo de soja, com US$ 89 milhões, e produtos da indústria química de origem vegetal, que somaram US$ 33 milhões. O fluxo comercial reflete a relevância da relação bilateral entre Brasil e Índia, que atingiu US$ 15,21 bilhões em 2025.

De acordo com o cônsul-geral da Índia, Hansraj Singh Verma, a agricultura tem papel central na expansão das trocas comerciais entre os dois países. Segundo ele, o desempenho paulista evidencia o potencial de crescimento da cooperação, especialmente em cadeias ligadas à produção de alimentos e bioenergia.

O secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, afirmou que o avanço das exportações está associado à diversificação da pauta e à competitividade dos produtos. Segundo ele, a presença no mercado internacional tem sido ampliada com foco em qualidade e na consolidação de parcerias estratégicas, com a Índia assumindo papel relevante na expansão para a Ásia.

O algodão foi o principal destaque entre os produtos exportados, com crescimento de 160% em volume. As remessas passaram de 5 mil toneladas para 15 mil toneladas em um ano, indicando ganho de espaço no mercado indiano. O movimento reflete tanto a capacidade produtiva quanto a adaptação às exigências externas.

Para Peter H. Burdzik, CEO da Valia Brazil, o desempenho das exportações também está relacionado à confiabilidade do fornecimento paulista. Ele destacou que fatores como preços e cenário geopolítico influenciam diretamente o ritmo das vendas externas, em um ambiente de rápidas mudanças.

A diretora executiva da Associação Paulista dos Produtores de Algodão, Marcella Wehrle, ressaltou que o diferencial competitivo do algodão paulista está associado ao nível técnico dos produtores. Segundo ela, a qualificação profissional e o foco em sustentabilidade contribuem para a valorização do produto na indústria têxtil internacional.

Além do avanço comercial, a relação entre São Paulo e Índia também tem se intensificado na área de inovação. Em setembro de 2025, representantes da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios participaram, em Nova Delhi, do Brazil-India Agri Innovation Day, com foco na ampliação de parcerias em pesquisa.

O diretor da APTA, Carlos Nabil Ghobril, avaliou que a aproximação pode impulsionar tanto o intercâmbio tecnológico quanto o desenvolvimento de soluções conjuntas. Segundo ele, a Índia responde por cerca de 11% da produção mundial de alimentos e possui um ecossistema relevante de inovação.

A integração entre instituições de pesquisa e startups dos dois países tende a ampliar projetos conjuntos e fortalecer iniciativas como o APTAHub. A estratégia busca expandir o desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao agro, com potencial de geração de empregos qualificados e aumento da competitividade do setor paulista.