Agro paulista registra superávit de US$ 15,61 bilhões de janeiro a setembro de 2026
14-10-2026
Soja, carnes e produtos florestais impulsionam o resultado positivo
Nos primeiros nove meses de 2026, o agronegócio paulista registrou superávit de US$ 15,61 bilhões. Esse resultado foi impulsionado por exportações que somaram US$ 20,08 bilhões, frente a importações de US$ 4,47 bilhões. No período, o setor respondeu por 36,1% do total das exportações do estado, enquanto as importações do agronegócio representaram 6,4% do total estadual.
PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS PELO AGRO DE SP
O complexo sucroalcooleiro foi responsável por 25,3% do total exportado pelo agro paulista, totalizando US$5,07 bilhões. Deste total, o açúcar representou 93,2% e o álcool etílico, etanol, 6,8%. O setor de carnes veio logo em seguida com 16,7% das vendas externas do setor, totalizando US$3,35 bilhões, com a carne bovina respondendo por 83,4%. O complexo soja teve participação de 12,5% do total exportado, registrando US$2,50 bilhões, 80,7% referentes à soja em grãos e 13,5% de farelo de soja. Produtos florestais representaram 12,2% do valor exportado, com US$2,45 bilhões, com 61,4% de celulose e 31,7% de papel. Os sucos responderam por 7,1% de participação, somando US$1,42 bilhão, dos quais 96% são referentes ao suco de laranja. Esses cinco grupos representaram, em conjunto, 73,8% das exportações do agronegócio paulista. O café ocupa a sexta posição, com 5,6% de participação na pauta de exportações, somando US$1,13 bilhão, 65% referentes ao café verde e 30% de café solúvel.
As variações nos valores exportados, em comparação com o mesmo período do ano passado, apontaram aumentos nas vendas dos grupos de soja (+19,5%), carnes (+6,7%) e produtos florestais (+11%), além de quedas nos grupos de sucos (-37,7%), sucroalcooleiro (-21,5%) e café (-16,5%).
PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES DO AGRO PAULISTA
A China segue sendo o principal destino das exportações, com 24,9% de participação, adquirindo principalmente produtos do complexo soja, carnes, florestais e produtos do setor sucroalcooleiro. A União Europeia aparece em seguida, com 14,0% de participação, enquanto os Estados Unidos responderam por 10,4%.
QUEDA NAS COMPRAS CHINESAS DE CARNE BOVINA
Apesar do crescimento de 6,7% nas exportações do setor de carnes, a redução dos embarques de carne bovina para a China acende um alerta para o agronegócio paulista. Um dos principais fatores é a cota de importação estabelecida pelo governo chinês para a carne bovina brasileira. O limite anual, de 1,10 milhão de toneladas em 2026, foi oficialmente atingido em 29 de setembro. Com isso, as importações que ultrapassarem a cota passam a estar sujeitas a uma tarifa adicional de 55%, além da alíquota regular, o que encarece a entrada do produto brasileiro no mercado chinês.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, os embarques paulistas de carne bovina para a China recuaram 28,4% em volume, na comparação com o mesmo período de 2025. A retração foi mais acentuada no terceiro trimestre, quando as exportações caíram 77,8%.
Segundo o diretor da APTA, Carlos Nabil Ghobril, o esgotamento da cota chinesa representa um fator importante para a dinâmica das exportações, ao limitar a competitividade da carne brasileira no mercado asiático. Outros fatores, como a formação de estoques e a alta dos preços da carne bovina no primeiro semestre, também podem influenciar as decisões de compra. “Um dos fatores a considerar é a alta de 24% nos preços da carne bovina no primeiro semestre de 2026, em relação ao mesmo período de 2025. Com a redução das importações, a China também pode buscar uma queda nos preços internacionais”, analisa.
A redução das compras chinesas foi parcialmente compensada pelo avanço de outros destinos. Os Estados Unidos aumentaram em 44% o volume de carne bovina adquirido de São Paulo entre janeiro e setembro de 2026, totalizando 71,7 mil toneladas. A Rússia também se destacou, com crescimento de 146%, alcançando 16 mil toneladas no período.
PARTICIPAÇÃO PAULISTA NO AGRO NACIONAL
No cenário nacional, o agronegócio paulista ocupa o segundo lugar no ranking de exportações, com 15,0% de participação, logo atrás de Mato Grosso (19,1%).
A análise da balança comercial do agronegócio paulista é elaborada mensalmente pelo diretor da APTA, Carlos Nabil Ghobril, e os pesquisadores José Alberto Ângelo e Marli Dias Mascarenhas Oliveira, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

