Alerta sobre LER e DORT acende sinal no setor sucroenergético
27-02-2026

Dia 28 destaca prevenção e impacto dos afastamentos no Brasil

Por Andréia Vital

O setor sucroenergético deve redobrar a atenção à prevenção de lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, as chamadas LER e DORT. O alerta ganha relevância no Dia Mundial de Combate à LER e DORT, celebrado em 28 de fevereiro, e envolve atividades agrícolas, industriais e administrativas ligadas à produção de açúcar, etanol e bioenergia.

Dados do Ministério da Previdência Social mostram que LER e DORT motivaram mais de 632 mil concessões de benefícios no Brasil entre 2011 e 2021, média superior a 50 mil afastamentos por ano. Entre as principais causas estão dores nas costas, lesões e transtornos de discos intervertebrais, como hérnias, e problemas nos ombros, que somam cerca de 580 mil afastamentos anuais, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social.

Nas usinas, as atividades exigem aplicação de força física, movimentos repetitivos, manuseio de cargas e permanência prolongada em posturas estáticas, tanto em pé quanto sentado. “As atividades dos colaboradores envolvem aplicação de força, repetição de movimentos e posturas mantidas por longos períodos, o que amplia o risco de LER e DORT”, afirma a médica do trabalho Daniela Cezarino, da Austa Clínicas.

No ambiente industrial, funções ligadas à moagem, manutenção, laboratório e operação de painéis de controle também implicam sobrecarga mecânica segmentar, postura fixa e, em alguns casos, exposição à vibração e ritmo intenso de trabalho. Segundo a especialista, trabalhadores nessas condições apresentam maior risco de desenvolver tendinopatias, lombalgias, cervicalgias e síndrome do túnel do carpo. Fatores organizacionais e psicossociais também influenciam o surgimento e a cronificação dos quadros.

Mesmo nas áreas administrativas, o uso prolongado de computador associado a mobiliário inadequado e pausas insuficientes eleva a carga musculoesquelética e favorece o aparecimento de LER e DORT.

A médica defende a adoção de programas estruturados de ergonomia, com adequação de postos de trabalho, pausas programadas, alternância de tarefas e ajuste correto de equipamentos. Programas de alongamento podem atuar como medida complementar, desde que inseridos em uma política mais ampla de gestão ergonômica. Ela orienta que o trabalhador procure avaliação médica ao identificar dor persistente, formigamento, perda de força ou limitação de movimento ao longo da jornada.

Entre as medidas preventivas recomendadas estão o ajuste adequado de assentos e equipamentos, o cumprimento de intervalos para recuperação muscular, o uso de ferramentas compatíveis com a atividade e a comunicação precoce de sintomas ao serviço de saúde ocupacional. Para as empresas do setor sucroenergético, investir em ergonomia e saúde ocupacional contribui para reduzir afastamentos e custos previdenciários, além de preservar a produtividade.