Alta do diesel pressiona custos e agrava crise no campo
11-03-2026

Combustível mais caro amplia impacto sobre produção e inflação

Andréia Vital

A recente elevação do preço do óleo diesel em diferentes regiões do país amplia as preocupações no setor agropecuário. Segundo avaliação da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, o aumento ocorre em um momento particularmente sensível para os produtores rurais, marcado por custos elevados de produção, crédito mais restrito e margens pressionadas.

O diesel ocupa posição estratégica na economia brasileira. O combustível abastece máquinas agrícolas, viabiliza o transporte de insumos e garante o escoamento da produção. Também sustenta a logística nacional, fortemente dependente do transporte rodoviário. Quando ocorre uma alta relevante nas cotações, os impactos se espalham rapidamente por diferentes setores produtivos e chegam ao consumidor final por meio de preços mais elevados.

Embora a formação do preço envolva fatores técnicos relevantes, como a oscilação do petróleo no mercado internacional, especialmente a referência Brent, produtores observam que choques externos muitas vezes são repassados com rapidez às bombas. Em alguns momentos, há percepção de que determinados elos da cadeia antecipam reajustes, ampliando margens e reforçando a pressão sobre os preços internos.

Dependência externa amplia vulnerabilidade

O cenário evidencia uma fragilidade estrutural da matriz energética brasileira. Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o país ainda depende de importações para atender parte relevante do consumo de diesel. Essa dependência expõe a economia às oscilações do mercado internacional e a eventos geopolíticos que afetam os custos do combustível.

Nesse contexto, o fortalecimento da política de biocombustíveis surge como alternativa para reduzir vulnerabilidades. A ampliação da mistura de biodiesel ao diesel é vista como caminho para aumentar a segurança energética e diminuir a dependência de importações, além de estimular o uso de matéria-prima produzida no país, como a soja.

A possibilidade de avanço da mistura para B17 já integra o debate nacional. Diante da disponibilidade de óleo vegetal e da capacidade instalada da indústria, também ganha espaço a discussão sobre metas mais elevadas, como a adoção do B20.

Impacto econômico e discussão de medidas

Além das estratégias estruturais, o setor também defende a discussão de medidas emergenciais diante de choques internacionais abruptos. Instrumentos tributários já foram utilizados em situações semelhantes para mitigar os efeitos da alta dos combustíveis. Em 2022, por exemplo, tributos federais foram zerados e estados reduziram alíquotas de ICMS sobre combustíveis.

A alta do diesel não afeta apenas a produção agropecuária. O aumento pressiona o custo do transporte, encarece alimentos, medicamentos e diversos produtos essenciais, ampliando o risco inflacionário. Em um ambiente marcado por juros elevados, a combinação entre inflação de custos e restrição monetária tende a limitar o ritmo da atividade econômica.

Para a Aprosoja Mato Grosso, enfrentar o problema exige respostas rápidas e coordenação entre diferentes esferas de governo. Entre as medidas apontadas estão a redução da dependência externa, o estímulo aos biocombustíveis e a adoção de instrumentos fiscais temporários capazes de amortecer choques de preços.