Alta do diesel pressiona custos no campo e acende alerta no agro
10-03-2026

Ilustração
Ilustração

Aprosoja MT afirma que aumento do combustível agrava endividamento e cobra medidas para reduzir impactos na produção e na economia

A recente elevação do preço do óleo diesel em diversas regiões do país acendeu um alerta entre produtores rurais. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) afirma acompanhar com preocupação o aumento, que ocorre em um momento já delicado para o setor produtivo.

De acordo com a entidade, os agricultores enfrentam atualmente um cenário marcado por altos custos de produção, dificuldade de acesso ao crédito, encarecimento do financiamento rural, níveis históricos de endividamento e margens cada vez mais reduzidas. Nesse contexto, o aumento do combustível agrava ainda mais a situação. Para a associação, o cenário funciona como “uma fagulha em um quarto cheio de explosivos”.

O diesel é considerado um insumo estratégico para a economia brasileira. O combustível movimenta máquinas agrícolas, viabiliza o transporte de insumos, garante o escoamento da produção e sustenta grande parte da logística nacional, baseada majoritariamente no transporte rodoviário.

Segundo a Aprosoja MT, quando o preço do diesel sobe de forma abrupta, os efeitos ultrapassam o campo. O impacto se espalha pela cadeia produtiva, elevando custos logísticos e chegando rapidamente ao consumidor final por meio do encarecimento de produtos e alimentos.

Embora fatores técnicos influenciem a formação do preço — como a variação do petróleo no mercado internacional, especialmente o indicador Brent —, a entidade observa que choques externos têm sido repassados com rapidez ao consumidor. Para a associação, em alguns momentos, determinados elos da cadeia podem antecipar reajustes, ampliando margens e aumentando a pressão sobre os preços internos.

A entidade também aponta uma fragilidade estrutural da economia brasileira: apesar de ser um grande produtor de petróleo, o país ainda depende da importação de parte significativa do diesel consumido internamente. Essa dependência expõe o Brasil às oscilações do mercado internacional e a efeitos de tensões geopolíticas.

Diante desse cenário, a Aprosoja MT defende a redução gradual dessa vulnerabilidade por meio do fortalecimento da política de biocombustíveis. A ampliação da mistura de biodiesel ao diesel é apontada como alternativa para aumentar a segurança energética, reduzir a dependência de importações e valorizar matérias-primas produzidas no país, como a soja.

No debate nacional, já existe a perspectiva de avanço da mistura para o B17. No entanto, segundo a associação, a disponibilidade de óleo vegetal e a capacidade instalada do setor permitem discutir metas mais amplas, como a evolução para o B20.

Além das medidas estruturais, a entidade considera legítima a discussão de ações emergenciais para mitigar os efeitos de choques internacionais. O Brasil já adotou instrumentos tributários semelhantes no passado para reduzir o impacto da alta dos combustíveis.

Em 2022, por exemplo, tributos federais foram zerados e diversos estados reduziram a alíquota do ICMS sobre combustíveis. Para a Aprosoja MT, a experiência demonstrou que a política tributária pode ser usada de forma temporária e responsável em momentos excepcionais.

O aumento do diesel, segundo a entidade, não afeta apenas os produtores rurais. O combustível pressiona os custos do transporte, encarece alimentos, medicamentos e produtos essenciais, além de contribuir para a inflação.

Em um ambiente econômico marcado por juros elevados, a combinação entre inflação de custos e restrição monetária tende a prejudicar ainda mais a atividade produtiva.

Diante desse cenário, a Aprosoja Mato Grosso defende uma resposta rápida e coordenada do poder público. A entidade afirma que reduzir vulnerabilidades externas, fortalecer a produção nacional de biocombustíveis e adotar medidas fiscais temporárias são ações essenciais para garantir estabilidade econômica, competitividade produtiva e segurança para a sociedade.

*Com informações da Aprosoja MT
Fonte: Jornal de Alagoas