Alta Mogiana projeta reação após impacto climático na safra
11-12-2025

Empresa reforça foco em competitividade e vê cenário mais favorável para moagem e mercado de biocombustíveis

Por Andréia Vital

A Usina Alta Mogiana concluiu a safra com moagem abaixo do ciclo anterior e atuação reforçada em frentes de competitividade e gestão. A unidade foi destaque no Prêmio Visão Agro Brasil 2025, realizado no último dia 4 em Ribeirão Preto - SP, com reconhecimento nas categorias Empreendedorismo e Gestão e Gestão de Pessoas, além da homenagem especial ao diretor comercial Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, eleito Referência em Liderança.

Segundo o executivo, o resultado agrícola refletiu diretamente o clima adverso na região. “Moemos aproximadamente 6 milhões e 200 mil toneladas, frente às 7 milhões de toneladas de 2024/25. O impacto climático negativo, com menos chuva e mais incêndios, trouxe muitas dificuldades para manter o rendimento agrícola”, afirmou. A expectativa é de recuperação: “Esperamos recuperar parte do canavial para o ano que vem e retomar a margem de 7 milhões de toneladas em 2026/27”.

O reconhecimento no prêmio reforça o foco da companhia em gestão de pessoas, governança e eficiência. A usina opera com crescente digitalização das atividades agrícolas, integração de sistemas e uso intensivo de dados, práticas citadas como diferenciais competitivos, embora aplicadas sem perder o foco em retorno econômico e disciplinaridade operacional.

Em recente participação na Conferência NovaCana 2025, Figueiredo falou sobre as perspectivas para o setor e reforçou que o etanol de milho redesenha a curva de oferta e a volatilidade dos biocombustíveis no Brasil. Ele destacou que a expansão do cereal, que cresce mais de 25% ao ano, tende a liderar a ampliação da produção nacional, enquanto as usinas de cana se concentram em açúcar e energia.

“O etanol de cana permanece relevante, mas deixa de ser protagonista. Não contem conosco para aumentar a produção de etanol nos próximos dez anos. Não há margem, e o foco é açúcar e cogeração” disse o executivo. Ele reiterou que o etanol de milho proporciona hedge natural e maior previsibilidade ao RenovaBio.

Figueiredo também fez um alerta direto ao setor produtivo. A competitividade do milho, afirmou, exige que fornecedores de cana compreendam a mudança estrutural em curso. “Uma tonelada de milho gera cerca de 430 litros de etanol, enquanto uma tonelada de cana produz 90 litros. Não é falta de esforço das usinas. Seguimos investindo pesado em irrigação, novas variedades e redução de custos, mas há limites econômicos e agronômicos a considerar” observou.

Segundo ele, aumentar a longevidade dos canaviais tornou-se mais racional do que promover renovações frequentes em ambiente de juros altos, ao mesmo tempo em que alternativas como cogeração e biogás ganham peso na composição de receitas.

Na mesma conferência, Figueiredo avaliou que o RenovaBio passa por um momento de inflexão, mas mantém fundamentos sólidos. “O objetivo principal do RenovaBio é descarbonizar a matriz energética brasileira ao menor custo e com a menor volatilidade possíveis. Por essa ótica, estamos entregando valor à sociedade” afirmou.

Ele reforçou que a previsibilidade depende de maior isonomia regulatória. Parte das distribuidoras cumpre as metas de CBios, enquanto outra parcela segue amparada por liminares, o que, segundo o diretor, compromete a credibilidade do programa. A adoção de regras mais rígidas pelo Ministério de Minas e Energia é vista como passo positivo para disciplinar o mercado.

A companhia segue avançando em padronização de processos, com integração de sistemas agrícolas e monitoramento das operações em tempo quase real, uma base que sustenta aumento de produtividade em ciclos de maior restrição climática e de margens mais estreitas. A automação do fluxo operacional e o uso de dados estruturados nas decisões de campo se tornaram elementos centrais da gestão, mesmo que não representem, por si, solução para a pressão de custos e competitividade.