AMAGGI compra 40% da FS e amplia presença no etanol de milho
14-05-2026
Acordo une biocombustíveis, logística agrícola e descarbonização
Andréia Vital
A FS e a AMAGGI anunciaram um acordo estratégico que reforça o avanço do etanol de milho no Brasil e amplia a integração entre produção agrícola, biocombustíveis, logística e exportação. Pela operação, a AMAGGI adquiriu 40% do capital social da FS, em uma transação ainda sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Com raízes em Mato Grosso, as duas empresas destacaram que a parceria reúne operações complementares em um momento de expansão da demanda por combustíveis renováveis e soluções voltadas à descarbonização do transporte global. A FS foi pioneira na produção de etanol de milho no Brasil e se consolidou como referência em eficiência operacional, inovação e sustentabilidade, além da atuação em nutrição animal.
A AMAGGI, que completa 50 anos em 2027, é considerada uma das maiores empresas brasileiras da cadeia de soja, milho e algodão. A companhia atua ainda em exportação, logística, geração e comercialização de energia, biodiesel, insumos agrícolas e serviços financeiros, ampliando nos últimos anos sua estratégia de industrialização e verticalização dos negócios.
Sinergias e expansão
Segundo as empresas, a parceria terá foco na ampliação da competitividade da FS, principalmente em áreas como originação de milho, otimização logística e exportações. A operação também fortalece a presença da AMAGGI em segmentos ligados à energia renovável e à industrialização de grãos.
O acordo aproxima ainda a experiência do grupo americano Summit Agricultural Group, controlador da FS, da trajetória da família Maggi, considerada uma das pioneiras da agricultura em Mato Grosso. As empresas afirmaram que a transação representa um alinhamento estratégico de longo prazo voltado ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
O acionista e fundador da AMAGGI, Blairo Maggi, afirmou que a parceria une empresas com valores e visão de longo prazo semelhantes. Já Bruce Rastetter destacou que a operação reúne grupos com forte atuação em combustíveis renováveis no Brasil e nos Estados Unidos.
O CEO da Summit, Justin Kirchhoff, afirmou que a companhia levou ao Brasil tecnologias consideradas entre as mais avançadas do setor e construiu, em escala, uma operação classificada pelo grupo como produtora do combustível de menor intensidade de carbono do mundo.
Para o CEO da FS, Rafael Abud, a entrada da AMAGGI ocorre em um momento estratégico diante das oportunidades de crescimento da indústria de etanol de milho e da necessidade global de redução das emissões de carbono. Segundo ele, a combinação entre inovação e presença consolidada na cadeia agrícola tende a ampliar a competitividade da operação.
Já o CEO da AMAGGI, Judiney Carvalho, afirmou que a companhia avaliava a entrada no setor há alguns anos e que o investimento reforça o compromisso da empresa com inovação, sustentabilidade e metas de descarbonização.

