Asplan participa do Tecnobio Cana e destaca avanços no uso de biológicos na cana-de-açúcar
20-03-2026

A Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) participou, nesta quarta-feira (18), da 4ª edição do Tecnobio Cana, realizada em Maceió, acompanhando de perto as inovações que vêm transformando o manejo agrícola. Representaram a entidade o biólogo Roberto Balbino, que foi um dos palestrantes, e o supervisor técnico Julio Barbosa.

O evento reuniu especialistas e profissionais do setor para discutir o avanço dos insumos biológicos, com foco em formulações mais modernas, tecnologias de aplicação, armazenamento, uso de drones e controle de qualidade — evidenciando uma mudança significativa na agricultura, com soluções que saem do laboratório e ganham cada vez mais espaço no campo.

Um dos destaques da programação foi a participação de Roberto Balbino como palestrante no painel “Quando iniciar o controle biológico em pragas de cana-de-açúcar”. Na ocasião, ele apresentou o case da Estação de Camaratuba e trouxe orientações práticas voltadas à realidade do controle biológico do Nordeste, especialmente dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Durante a apresentação, Balbino destacou pontos fundamentais para a eficiência do manejo, como o momento ideal para iniciar o controle biológico, considerando fatores como o tamanho e a idade da cana, além do estágio de desenvolvimento das pragas. Ele explicou, por exemplo, que a liberação da Cotesia pode ser realizada em plantas ainda jovens, com cerca de 45 dias, e que o controle da broca deve começar quando a lagarta atinge aproximadamente meio centímetro.

“O planejamento é essencial. É preciso monitorar desde a bordadura até o interior do talhão, observar os níveis populacionais das pragas e definir corretamente o momento das liberações. Assim, evitamos que os índices avancem a ponto de causar prejuízos econômicos à cultura”, ressaltou. O biólogo também chamou atenção para o surgimento de pragas secundárias, como o elasmo, o cochonilia rosada e a cigarrinha, especialmente em períodos chuvosos, o que exige atenção redobrada dos produtores. Segundo ele, o uso estratégico dos biológicos permite um controle mais sustentável e eficiente.

Outro ponto abordado foi a versatilidade desses insumos. “Os biológicos, como os fungos, não apenas controlam pragas, mas também atuam no combate a doenças e ainda desempenham funções importantes dentro da planta, ampliando os benefícios para o sistema produtivo”, destacou Balbino.

Atualmente, o Brasil utiliza manejo biológico em cerca de 156 milhões de hectares, sendo aproximadamente 10% desse total na cultura da cana-de-açúcar — um número que demonstra o potencial de expansão dessas tecnologias. O avanço dos bioherbicidas, segundo Balbino, também foi apontado como uma tendência promissora para os próximos anos. “A participação no evento reforça o compromisso da Asplan em acompanhar as inovações do setor e levar conhecimento técnico aos produtores, contribuindo para uma produção mais eficiente, sustentável e competitiva”, reiterou o diretor técnico da Associação, Neto Siqueira.

Fonte: Asplan