Atvos acelera digitalização logística e mira rastreabilidade ao estilo e-commerce
17-12-2025

Tecnologia reorganiza expedições, reduz custos e eleva segurança em operação que movimenta mais de 2 bilhões de l de etanol e 600 mil ton de açúcar ao ano

Por Andréia Vital

A Atvos consolidou nos últimos anos uma transformação profunda na logística de açúcar e etanol, elevando o nível de integração, previsibilidade e segurança em uma operação de grande escala industrial e comercial. No SugarCane Global Summit 2025, realizado recentemente em Campinas - SP, o gerente Corporativo de Operações Logísticas Plínio Junqueira apresentou o conjunto de iniciativas que reposicionou a área como pilar estratégico da companhia e elemento central de eficiência no atendimento ao mercado interno e externo.

A companhia passou a tratar logística como operação de ponta a ponta, conectando todas as etapas desde a saída da usina até o cliente. Junqueira destacou que essa mudança começou pela revisão do modelo de expedição. “A usina é um grande centro logístico. Tem a logística para realizar o plantio, para fazer o trato, para colher, para receber na unidade, armazenar o produto e depois levar para o cliente e tudo isso de uma forma otimizada e planejada”, afirmou ao ressaltar que o fluxo logístico estrutura praticamente todas as etapas do negócio.

A implantação da torre de controle, combinada ao portal de agendamento, reorganizou filas, reduziu gargalos e trouxe previsibilidade ao fluxo de caminhões. O sistema passou a vincular placa, motorista, transportadora e horário à programação de vendas, permitindo dimensionar capacidade e evitar tanto entupimento quanto ociosidade.

A escala reforça a necessidade de precisão. A Atvos opera oito unidades em quatro Estados, com capacidade de 3,3 bilhões de litros de etanol, 4,2 mil GWh de bioeletricidade, cultivo de cerca de 500 mil hectares e produção de aproximadamente 750 mil toneladas de açúcar VHP. O quadro de 11 mil colaboradores e 5,4 mil terceiros sustenta uma plataforma de biocombustíveis e bioprodutos que atende clientes no mercado interno e externo, incluindo exportações de etanol com especificação diferenciada, que exigem pureza e rastreabilidade rigorosas.

A digitalização permitiu criar indicadores comparáveis entre unidades sobre eficiência de carregamento, pontualidade nos agendamentos, no-show de veículos e gargalos de descarga. Para o executivo, esse nível de visibilidade atua diretamente no resultado. “Caminhão parado é custo na veia”, disse ao explicar como o monitoramento contínuo passou a embasar decisões operacionais e ações corretivas rápidas.

A empresa também estruturou monitoramento regionalizado com torres dedicadas a diferentes rotas e fluxos, além de implantar uma camada adicional de segurança com análise de comportamento do motorista. O indicador de acidentes por milhão de quilômetros caiu de 0,5 para 0,05 após a adoção de alertas e atuação integrada com transportadoras. O controle de perdas em trânsito ganhou precisão com o cruzamento automático de nota fiscal e comprovante de descarga, permitindo identificar desvios, inconsistências de aferição ou falhas de processo.

A Atvos avança agora para uma automação completa, integrando contratação de frete, TMS, validação de motoristas, balanças, totens, emissão de documentos e conexão direta aos sistemas de expedição. A expectativa é reduzir o ciclo de carregamento em cerca de uma hora em determinadas unidades. A empresa também quer automatizar a emissão do CT-e, etapa vista como um dos principais gargalos da operação.

Para Junqueira, entregar previsibilidade ao cliente será a nova fronteira de competitividade no setor. Ele argumenta que a lógica do varejo digital deve inspirar o transporte de etanol e açúcar, em que a maioria das entregas é responsabilidade direta da usina. A rastreabilidade completa deixa de ser apenas requisito regulatório e se torna diferencial comercial.

O executivo também reforçou que sua trajetória em logística, biocombustíveis e cadeia de suprimentos contribuiu para reposicionar a área outbound da Atvos como eixo estratégico. Ele destacou que tecnologia, eficiência e segurança formam um tripé indispensável para sustentar competitividade em açúcar, etanol e novos bioprodutos. A transformação logística, afirmou, integra a estratégia maior da empresa de liderar a transição energética com soluções sustentáveis e de larga escala.

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