Biosev lucrou R$ 49,7 milhões no 4º trimestre
02-06-2016

Pelo segundo trimestre consecutivo, a sucroalcooleira Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, obteve resultado líquido positivo, na esteira da recuperação dos preços de açúcar e etanol. No quarto trimestre da safra 2015/16, entre janeiro e março, a companhia teve lucro líquido de R$ 49,7 milhões, um cenário bem diferente do mesmo período da safra anterior, quando amargou um prejuízo líquido superior a R$ 200 milhões.

O resultado do quarto trimestre amenizou as perdas do início da safra, e assim, a empresa terminou o ciclo 2015/16 com um prejuízo líquido de R$ 272,7 milhões, 45% menor que a perda de da temporada anterior.

O presidente da companhia, Rui Chammas, destacou, ao Valor, que um conjunto de melhorias operacionais, desde o avanço da produtividade dos canaviais até o aumento do uso da capacidade instalada, além da estratégia de carregar mais estoques de etanol para a entressafra, contribuíram para o resultado do ciclo.

Não que a recuperação dos preços do açúcar no mercado internacional e do etanol no país não tenham tido influência. Mas a venda de quantidades maiores dos dois produtos ao longo da safra também foi relevante no faturamento. De fato, a receita com as vendas de açúcar subiram tanto no último trimestre da safra (18%) como no ciclo todo (12%), quando totalizou R$ 2,3 bilhões. As vendas de etanol, por sua vez, caíram 6% no trimestre, mas subiram 22% em toda a safra, para R$ 2,1 bilhões.

No entanto, a receita com cogeração foi afetada pela brusca queda dos preços da energia no mercado livre em 2015. Embora 80% da energia vendida pela Biosev seja acertada em contratos de longo prazo, a desvalorização no mercado spot fez com que a receita do segmento caísse 18% no ciclo, chegando em R$ 233,2 milhões. O executivo disse que a Biosev aumentou o volume de energia negociado e considerou que a companhia "sofreu relativamente pouco com a redução do preço".

A receita líquida do trimestre registrou uma queda de 6%, somando R$ 1,366 bilhões, mas a receita da safra exibiu um ganho expressivo, de 36%, para R$ 6,162 bilhões. A melhora operacional se refletiu no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da safra, que bateu o recorde para uma temporada e ficou em R$ 1,4 bilhão, uma alta de 8%.

No lado financeiro, o resultado foi impactado pelo enfraquecimento do real ante o dólar registrado ao longo do ano passado, mas foi parcialmente revertido no último trimestre, com a recuperação da moeda brasileira. A desvalorização do real também elevou o endividamento da Biosev, que encerrou a safra em 31 de março com uma dívida líquida de R$ 4,2 bilhões, alta de 2,6%. "Estamos buscando o alongamento da dívida e a redução ao longo do tempo", ressaltou Chammas, destacando que a companhia começou a nova safra com R$ 2,2 bilhões em caixa, "o que seria suficiente para pagar toda a amortização de 2016/17 se não renovássemos os prazos".