BNDES aprova financiamento de R$ 450 milhões para planta de biometano em Paulínia - SP
19-12-2025
Recursos do Fundo Clima e da linha Finem viabilizam projeto que será a maior unidade do país no segmento
Por Andréia Vital
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou financiamento estimado em cerca de R$ 450 milhões para a construção de uma planta de purificação de biogás em biometano no município de Paulínia, no interior paulista. O projeto será executado pela Biometano Verde Paulínia S.A., razão social da Onebio, empresa formada pela Edge, do grupo Cosan, e pela Orizon VR, e será implantado no Ecoparque Orizon VR.
Do volume total aprovado, aproximadamente 80% serão destinados por meio do Fundo Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima, enquanto os 20% restantes virão da linha Finem, voltada ao financiamento de investimentos de maior porte. A operação reforça a estratégia do banco de apoiar iniciativas ligadas à transição energética e à redução das emissões de gases de efeito estufa.
A unidade receberá todo o biogás gerado a partir dos resíduos sólidos urbanos do aterro sanitário de Paulínia. Com capacidade instalada para produzir até 225 mil metros cúbicos de biometano por dia, a planta será a maior do Brasil nesse segmento. Durante a fase de implantação, o empreendimento gerou cerca de três mil empregos diretos e indiretos, com impacto positivo sobre a economia local.
Segundo o BNDES, o projeto está alinhado à agenda governamental de estímulo a fontes renováveis e de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. A produção de biometano a partir de resíduos urbanos permitirá evitar a emissão anual de mais de 100 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente, ao substituir combustíveis fósseis por gás de origem renovável.
Na avaliação da Edge, o financiamento representa um avanço relevante para a consolidação do biometano como alternativa competitiva no mercado energético brasileiro. A empresa destaca que o combustível, além de ser totalmente renovável, contribui para a economia circular ao transformar resíduos urbanos, industriais e agrícolas em energia. Em comparação com o diesel, o biometano pode reduzir em quase 90% as emissões de CO₂, com a vantagem adicional de utilizar a infraestrutura já existente do gás natural, o que facilita sua logística e distribuição.
A Orizon VR, por sua vez, classifica a planta de Paulínia como um marco para a produção em larga escala de biometano a partir de aterros sanitários no país. O projeto segue modelo semelhante ao já adotado pela empresa em Pernambuco e deverá servir de referência para a expansão da tecnologia em outras unidades do grupo. A companhia ressalta que o crédito aprovado reforça o valor ambiental da iniciativa, ao transformar resíduos sólidos urbanos em energia limpa e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
O Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, tem como objetivo apoiar projetos e empreendimentos voltados à mitigação das mudanças climáticas, incluindo investimentos em tecnologias, máquinas e equipamentos que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a adaptação aos impactos do clima.
A Biometano Verde Paulínia é uma sociedade de propósito específico, com capital dividido entre a Edge Comercialização, que detém 51%, e o Grupo Orizon, com 49%. A Edge integra o portfólio do grupo Cosan.
O biometano é obtido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de matéria orgânica, como resíduos de aterros sanitários e do agronegócio. O combustível resultante apresenta alto teor de metano e atende às especificações técnicas definidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o que permite seu uso em aplicações industriais, residenciais e no transporte pesado. Estudos recentes de Avaliação do Ciclo de Vida indicam que, no Sudeste brasileiro, o biometano pode reduzir em até 87% as emissões de gases de efeito estufa quando comparado ao diesel, considerando todo o ciclo do combustível.

