BNDES reforça papel dos biocombustíveis na transição energética
22-05-2026

Escola reúne líderes latino-americanos e destaca etanol e SAF

Andréia Vital

O avanço dos biocombustíveis, a neoindustrialização verde e os investimentos em mobilidade de baixo carbono dominaram os debates da segunda edição da Escola de Governo e Desenvolvimento Maria da Conceição Tavares, realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), no Rio de Janeiro. A programação foi encerrada nesta sexta-feira (22) com foco em políticas públicas, transição energética e desenvolvimento regional.

Com representantes de mais de 15 países da América Latina e do Caribe, a escola reuniu 66 participantes, sendo 33 brasileiros e 33 estrangeiros. O encontro colocou o Brasil no centro das discussões sobre descarbonização, principalmente pela capacidade de expansão da matriz renovável e pelo potencial dos biocombustíveis na redução das emissões globais.

Durante aula magna realizada na quinta-feira (21), o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o papel estratégico do etanol, do biodiesel e do combustível sustentável de aviação (SAF) na agenda de transição energética. Segundo ele, o Brasil reúne vantagens competitivas em produção agrícola, energia renovável e tecnologia para ampliar sua participação no mercado global de combustíveis de baixo carbono.

Mercadante afirmou que o banco tem ampliado o financiamento a projetos ligados à economia verde, incluindo mobilidade sustentável, combustíveis renováveis e inovação industrial. O dirigente também defendeu políticas de neoindustrialização voltadas à agregação de valor e ao fortalecimento das cadeias produtivas associadas à transição energética.

A discussão interessa diretamente ao setor sucroenergético, em um momento de avanço das políticas ligadas à descarbonização no Brasil e no exterior. Além do crescimento do mercado de etanol, o SAF vem sendo tratado como uma das principais oportunidades para a cadeia da cana-de-açúcar, diante da pressão internacional por redução das emissões no transporte aéreo.

Outro ponto destacado foi a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura, inovação e tecnologia para consolidar cadeias industriais ligadas à bioenergia. Mercadante citou iniciativas voltadas a veículos híbridos e elétricos, transporte sustentável e desenvolvimento de soluções de baixo carbono, além do uso de inteligência artificial em projetos de cidades inteligentes.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que o debate climático não pode ficar restrito apenas à transição energética sob a ótica dos países desenvolvidos. Segundo ela, a América Latina possui potencial estratégico em soluções baseadas na natureza e produção sustentável, o que amplia o espaço regional nas discussões globais sobre desenvolvimento e clima.

A programação da etapa brasileira contou ainda com conferências e oficinas sobre economia verde, inovação, planejamento público e desenvolvimento regional. Após a etapa presencial no Rio de Janeiro, as atividades seguirão em formato online entre junho e setembro de 2026, além de uma etapa final prevista para Santiago, no Chile, na sede da Cepal.

Legenda da foto: A diretora da Cepal no Brasil, Camila Gramkow, e a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello