Brasil e Índia ampliam cooperação em bioenergia
23-02-2026

Fórum em Nova Délhi reforça agenda de etanol e comércio bilateral

O Fórum Empresarial Brasil Índia, realizado em Nova Délhi, encerrou sua programação neste fim de semana com foco na ampliação das relações comerciais e na cooperação em bioenergia. A agenda integrou a missão oficial que acompanhou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático.

Representando a Confederação Nacional da Indústria CNI, o presidente executivo do Sifaeg e do Sifaçúcar e também presidente da Fieg, André Rocha, participou do encontro em nome do presidente da CNI, Ricardo Alban. Em sua exposição, destacou o papel estratégico da parceria bilateral na expansão global dos biocombustíveis, especialmente do etanol.

A Índia consolidou-se como o quinto maior parceiro comercial do Brasil e o segundo na Ásia, atrás apenas da China. A corrente de comércio entre os dois países passou de US$ 5,6 bilhões em 2016 para US$ 15,2 bilhões em 2025, praticamente o triplo em uma década. Para o dirigente, o crescimento revela potencial ainda não explorado, já que o acordo preferencial entre Mercosul e Índia abrange apenas 16,8% das trocas bilaterais.

No campo da bioenergia, Rocha relembrou o início das articulações técnicas entre os dois países para viabilizar a mistura de etanol à gasolina na Índia. Há cerca de dez anos, o percentual era de 2%. Em menos de uma década, o índice se aproximou de 20%, antecipando metas previstas para um horizonte mais longo.

O avanço ocorre em um contexto de elevada dependência energética. Cerca de 80% do petróleo consumido pela Índia é importado, enquanto o carvão ainda ocupa espaço relevante na matriz. Segundo o executivo, a ampliação do etanol contribuiu para reduzir emissões urbanas, elevar a qualidade dos combustíveis e fortalecer a segurança energética.

Brasil e Índia também integram a Aliança Mundial de Biocombustíveis e assumiram compromissos internacionais para ampliar em quatro vezes o uso de energias renováveis no transporte. A cooperação, segundo Rocha, avança para segmentos considerados estratégicos na transição energética, como combustíveis sustentáveis para aviação e navegação marítima.

“O avanço dos biocombustíveis na Índia e no Brasil demonstra que é possível crescer reduzindo emissões e promovendo qualidade de vida nas cidades”, afirmou.