Café arábica avança mais de 3% em Nova York com possibilidade de La Niña
22-01-2024
Açúcar e cacau abrem a semana em queda; algodão sobe
Por Paulo Santos e José Florentino — São Paulo
A possibilidade de um La Niña no segundo semestre deu novo gás aos contratos futuros do café arábica em Nova York. Os papéis de vencimento em março operam com alta de 3,19%, a US$ 1,9105 por libra-peso.
Na sexta-feira (19/1), a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) disse que há chances do fenômeno La Niña acontecer ainda este ano.
“Isso preocupa os investidores, pois até então se esperava um clima neutro para o segundo semestre. Além disso, o mercado do café ficou marcado pelos impactos do La Niña nos últimos três anos”, disse Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Os estoques certificados de café na Intercontinental Exchange (ICE), que opera a bolsa de Nova York, caíram para 253,1 mil sacas no fim da semana passada. O volume está bem abaixo das 859,6 mil sacas de um ano atrás, quando o volume já era considerado criticamente baixo, afirmou Eduardo Carvalhaes, especialista no mercado de café, em nota.
Açúcar
Depois de duas fortes altas, os contratos do açúcar demerara para março caem 0,08%, a 23,55 centavos de dólar por libra-peso.
A Hedgepoint Global Markets vê os preços do açúcar em Nova York em um patamar equilibrado. No entanto, assim como acontece com o café, a chance do El Niño influenciar o clima pode acarretar em alta nos preços.
A depender de sua intensidade, o fenômeno pode provocar mudanças no padrão das chuvas, que geralmente afetam a produtividade, segundo Lívia Coda, analista da Hedgepoint.
Cacau
O cacau também recua, após atingir um novo recorde na sexta-feira (19/1), os papéis de vencimento em março recuam 0,09%, a US$ 4.579 por tonelada.
Apesar dessa leve queda, a cotação da amêndoa continua com tendência de alta devido aos problemas de oferta na Costa do Marfim, o maior produtor mundial, e à demanda firme.
“Os fundamentos em termos de oferta restrita são muito sólidos neste momento, e não se resolverão de um ano para o outro. Vejo que essa alta do cacau ainda pode se estender por muito mais tempo”, projetou Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado da StoneX.
De acordo com ele, uma possível correção para baixo pode acontecer, com indicativos de que a demanda pode estar cedendo. Mas os dados de moagem em algumas regiões mostram o contrário.
Na Europa, o processamento de cacau fechou o terceiro trimestre de 2023 com recuo de 2,3% na comparação com a moagem do mesmo período no ano anterior, enquanto a estimativa de analistas apontava para uma queda de até 5%. Já na América do Norte, a moagem retrocedeu 3%, muito aquém do percentual esperado pelo mercado, de 10%.
“Esses números deram um novo gás para os fundos, que vão continuar comprados [apostando na alta dos preços] e especulando sobre novos recordes nos contratos futuros”, observou Rossetti.
O algodão para março sobe 0,36, a 84,25 centavos de dólar por libra-peso.
Fonte: Globo Rural

