Cana amplia fronteiras com biogás e novos combustíveis
16-03-2026

Arnaldo Jardim destaca bioenergia e confirma saída da política

Andréia Vital

O setor sucroenergético amplia as rotas de aproveitamento da cana-de-açúcar com o avanço do biogás, do biometano e de novos combustíveis renováveis. O tema foi destacado pelo deputado federal Arnaldo Jardim durante a cerimônia de abertura da DATAGRO Abertura de Safra Cana Açúcar Etanol, realizada em Ribeirão Preto - SP, nos dias 11 e 12 de março, que debateu as perspectivas da safra 2026/27 no Centro-Sul.

Segundo o parlamentar, os biocombustíveis passaram a ocupar papel estratégico em um cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos e volatilidade nos preços do petróleo. Na avaliação dele, o agronegócio brasileiro possui uma característica singular ao integrar produção de alimentos e energia renovável na mesma cadeia produtiva. “O agro brasileiro produz alimentos e energia de forma simultânea e conciliatória”, afirmou.

De acordo com Jardim, poucos países reúnem escala agrícola, base industrial, tecnologia e experiência regulatória capazes de transformar essa combinação em vantagem competitiva. Diante desse cenário, ele defendeu o avanço das políticas de mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel. “Vamos trabalhar para a elevação rápida dessas misturas”, disse.

O deputado também ressaltou que o etanol tende a ganhar novas aplicações nos próximos anos, especialmente como matéria-prima para combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e alternativas voltadas ao transporte marítimo, o chamado biobunker.

Além dessas novas rotas, Jardim destacou que a cadeia da cana-de-açúcar vem ampliando o aproveitamento energético de seus resíduos. Segundo ele, a evolução do setor passou da produção de açúcar para a incorporação do etanol, da bioeletricidade e, mais recentemente, de soluções ligadas ao biogás e ao biometano.

“O setor da cana que produzia o açúcar, depois veio o etanol, depois veio a bioeletricidade. E agora tem mais uma novidade que está chamando a atenção que é o biogás e o biometano”, afirmou.

De acordo com o parlamentar, esses combustíveis podem ser produzidos a partir de resíduos do processamento da cana-de-açúcar, como vinhaça e bagaço, ampliando o aproveitamento energético nas usinas e criando alternativas para substituição do diesel.

“O biogás e o biometano que pode ser extraído tanto da vinhaça como também do bagaço da cana dá um sentido para toda a utilização dos resíduos e pode ser usado imediatamente para substituir o diesel”, disse.

Em publicação recente nas redes sociais, Arnaldo Jardim informou que este será seu último ano como deputado federal. Após cinco mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados e mais de quatro décadas de vida pública, ele afirmou que não disputará novas eleições e pretende direcionar sua atuação para atividades ligadas à estratégia empresarial e à análise do ambiente regulatório.

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