Casa John Deere apresenta soluções para eficiência no campo
25-03-2026

Espaço reúne tecnologias para cana e automação agrícola

Andréia Vital

A John Deere abriu, nesta segunda-feira (23), a Casa John Deere, em Campinas - SP, reunindo em um único ambiente o maior volume de lançamentos já realizado pela companhia no Brasil. Com estrutura de 40 mil m², o espaço funciona como uma “cidade tecnológica”, integrando máquinas, soluções digitais e serviços voltados à operação agrícola. A iniciativa concentra mais de 20 inovações e cerca de 500 horas de conteúdo técnico, com expectativa de receber mais de sete mil participantes. A proposta é apresentar soluções organizadas por etapa do sistema produtivo, do plantio à colheita, com foco em eficiência operacional. “Este é, sem dúvida, o maior lançamento que já fizemos no Brasil”, afirmou Rodrigo Bonato, vice-presidente de Vendas e Marketing da John Deere para a América Latina.

O espaço reúne demonstrações técnicas, áreas de pós-venda, conectividade, soluções financeiras e a Loja John Deere, integradas à jornada do cliente ao longo do ciclo produtivo. “A John Deere está aqui para contribuir com a próxima etapa da evolução do agro brasileiro. Parte dessa transformação passa por conectividade, inteligência artificial, sensores, visão preditiva e coleta de dados”, disse Alfredo Miguel Neto, diretor de Assuntos Corporativos & Comunicações para América Latina.

Cana concentra avanços em plantio, tratos e colheita

No setor sucroenergético, a companhia concentrou parte relevante dos lançamentos. No plantio, o destaque é o ExactStand™, sistema de visão computacional que monitora a distribuição de mudas em tempo real, identifica falhas e permite correções imediatas, com impacto direto na uniformidade do canavial. Nos tratos culturais, o See & Spray™ realiza aplicação seletiva de defensivos, com economia média de 50% e potencial de chegar a 93%, ao aplicar insumos apenas onde há presença de plantas daninhas.

A linha inclui ainda o pulverizador 230M e o distribuidor de nutrientes 400R DN, voltados à ampliação da capacidade operacional e ao controle eletrônico das aplicações. Na colheita, a CH950 reforça o avanço da mecanização com operação em duas linhas simultâneas, reduzindo a compactação do solo, as perdas e o consumo de combustível por tonelada colhida. “É uma máquina concebida para a realidade da cana no Brasil, especialmente nos espaçamentos de 1,40 e 1,50”, afirmou Felipe Dias, gerente global do sistema de produção de cana da John Deere. “A redução da compactação é fundamental, porque esse é um dos principais fatores que afetam a produtividade”. 

Segundo o gerente, o diferencial está no efeito agronômico. “A cada passada, a máquina mantém uma entrelinha sem compactação. Ao reduzir esse impacto, é possível elevar o rendimento do canavial”. A colhedora também amplia a eficiência operacional. “Ela produz mais que uma colhedora de uma linha, reduz consumo, mão de obra e custos operacionais na cana-de-açúcar”. Outro avanço está na qualidade da matéria-prima, com novo sistema de limpeza que reduz a impureza vegetal. A tecnologia já soma mais de 300 unidades em operação no país.

Máquinas, conectividade e precisão ampliam eficiência

Entre os equipamentos, a nova série de tratores 8R, com até 634 cv, foi apresentada para operações de larga escala. Já a linha 5M, de 85 a 120 cv, amplia o acesso à mecanização com integração a soluções digitais. O monitor G5e e os sistemas de posicionamento ampliam o uso do piloto automático e da gestão remota, reduzindo falhas e sobreposições. A companhia também apresentou pacotes de atualização tecnológica para máquinas já em operação.

A conectividade avança com o JDLink™ Boost, solução via satélite que permite transmissão contínua de dados mesmo em regiões sem cobertura celular. “Nosso papel é entender as necessidades dos produtores e trazer soluções que gerem resultado real no campo”, afirmou Cristiano Correia, vice-presidente de Sistemas de Produção da John Deere para a América Latina e vice-presidente global para cana-de-açúcar. A companhia também destacou a integração entre etapas do sistema produtivo. “Ninguém gerencia uma máquina isoladamente, mas sim o sistema como um todo”, disse Valério Wagner, diretor de Marketing para a América Latina.

Trator a etanol avança em testes no Brasil

Entre os destaques da inauguração, está o protótipo de trator movido 100% a etanol, com foco inicial na cana-de-açúcar e potencial de uso também em grãos. “O conceito é operar totalmente com etanol. O mercado de cana já tem essa vocação, mas vemos avanço também no etanol de milho”, afirmou Paulo Verdi, gerente de Produtos.

Segundo ele, o principal desafio está no menor poder calorífico do etanol em relação ao diesel, o que exige maior volume de combustível para garantir a mesma autonomia. O protótipo, de 340 cv, já apresenta desempenho próximo ao de tratores convencionais, com boa resposta a variações de carga. Os testes começaram em 2024 e avançam em diferentes regiões do país, com duas unidades em operação, uma em áreas de cana-de-açúcar e outra em regiões de grãos no Cerrado. Ainda não há definição sobre consumo específico, que varia conforme a aplicação. Segundo a empresa, apesar do maior volume consumido, o balanço energético se mantém equivalente ao diesel.

Os testes com o trator integram uma estratégia mais ampla da companhia em biocombustíveis. “Estamos há alguns anos testando uma família de motores a etanol, com milhares de horas de operação em campo, em diferentes culturas e regiões do Brasil. É um desenvolvimento feito aqui, para o Brasil. Ainda não podemos anunciar uma data, porque estamos na fase final de validação, mas certamente, em um futuro próximo, vamos avançar na comercialização não só do trator, mas de outras aplicações com motor a etanol”, concluiu Cristiano Correia.