Cenário macro indica crescimento maior em 2025 e cautela monetária até 2026
16-01-2026

Revisões do Itaú Unibanco reforçam peso do agro no PIB, inflação mais comportada e câmbio pressionado por risco eleitoral

Por Andréia Vital

As últimas revisões de cenário macroeconômico elaboradas pelo time do Itaú Unibanco apontam para um fechamento de 2025 com atividade mais resiliente no Brasil, sustentada principalmente pelo desempenho do setor agropecuário, enquanto 2026 e 2027 seguem marcados por crescimento moderado, desafios fiscais e uma política monetária ainda prudente. O ambiente externo mais benigno contribui para reduzir pressões inflacionárias, mas não é suficiente para afastar os riscos domésticos que seguem influenciando câmbio, juros e expectativas de investimento.

No câmbio, o banco manteve a projeção de R$ 5,50 por dólar em 2026 e de R$ 5,70 em 2027. Apesar da expectativa de novos cortes de juros nos Estados Unidos e de um dólar globalmente mais fraco, o real tende a ter valorização limitada. O principal fator é o aumento do prêmio de risco associado ao calendário eleitoral, movimento historicamente observado e que costuma neutralizar parte do impulso externo favorável. No setor externo, o déficit em conta corrente deve permanecer acima da média histórica, em 3,1% do PIB em 2026 e 2,8% em 2027, ainda que em trajetória gradual de convergência.

A projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2025 foi revisada de 2,2% para 2,3%, refletindo um desempenho mais forte do agro, cuja expansão estimada subiu para cerca de 11% no ano. A indústria também teve ajuste marginal para cima, enquanto os serviços perderam fôlego, em linha com a desaceleração observada nos componentes mais sensíveis à política monetária. Para 2026 e 2027, a expectativa permanece em 1,7%, com viés de alta no próximo ano diante da possibilidade de medidas contracíclicas e de um comportamento mais robusto do crédito.

O mercado de trabalho segue como um dos pontos de sustentação do cenário. As projeções para a taxa de desemprego foram revisadas para baixo, passando para 5,8% em 2025 e 6,0% em 2026, com ajuste nas premissas de participação da força de trabalho. Ainda que haja sinais de arrefecimento da atividade, a combinação de menor participação e setores menos cíclicos mais resilientes mantém a taxa de desocupação em patamar historicamente baixo.

No front inflacionário, o Itaú reduziu a estimativa do IPCA de 2025 para 4,4% e a de 2026 para 4,0%, mantendo o mesmo patamar para 2027. A revisão incorpora a desinflação de bens industriais, impulsionada por estoques elevados, demanda mais fraca, queda dos IGPs e expectativa de redução nos preços da gasolina no início do ano. O balanço de riscos é considerado assimétrico para baixo, especialmente nos itens comercializáveis, embora a inflação permaneça acima da meta no horizonte projetado.

No cenário fiscal, a avaliação segue mais cautelosa. O resultado primário estimado para 2025 foi ajustado para déficit de 0,5% do PIB, com melhora pontual das receitas de royalties. Para 2026 e 2027, as projeções indicam déficits de 0,8% e 0,9% do PIB, respectivamente, refletindo limitações do arcabouço fiscal atual para estabilizar a dívida pública sem novas fontes estruturais de receita.

A política monetária permanece condicionada à evolução dos dados. O Copom reconhece a melhora do quadro inflacionário e sinais de desaceleração da atividade, mas mantém postura cautelosa. O início do ciclo de cortes segue projetado para o começo de 2026, com a Selic encerrando o ano em 12,75% e recuando para 11,75% em 2027, mesmo com a possibilidade de adiamento do primeiro corte caso as condições não se mostrem suficientemente favoráveis.

No cenário internacional, o banco projeta dois cortes adicionais de juros nos Estados Unidos no segundo semestre de 2026, com crescimento ainda positivo e inflação em trajetória mais controlada. Na Europa, a expansão de 1,2% em 2026 deve ser apoiada pelo pacote fiscal alemão, enquanto a China tende a crescer em torno de 5%, sustentada pelo desempenho das exportações. Na América Latina, houve revisão altista para 2026 em países como Chile, Peru e Argentina, impulsionados por mineração, energia e reformas estruturais que destravam novos investimentos.