Censo Varietal reforça domínio da CTC4 e aponta avanço consistente das variedades IAC no Centro-Sul
08-12-2025

Levantamento do IAC cobre 7,5 milhões de hectares e revela portfólios mais distribuídos entre programas de melhoramento

Por Andréia Vital

O Instituto Agronômico (IAC) encerrou o calendário 2025 do Grupo Fitotécnico de Cana com a divulgação dos resultados do Censo Varietal da safra 2025/26 e do mapa de intenções de plantio para o ciclo abril/2025–março/2026. Sob coordenação do consultor Rubens Leite do Canto Braga Júnior, do Programa Cana IAC, o estudo consolidou informações de 321 empresas, usinas, destilarias, associações e grandes fornecedores, somando 7,5 milhões de hectares em nove estados do Centro-Sul. O volume de dados consolidados torna esta a maior radiografia já realizada da base genética da cana em uma única safra.

A CTC4 permanece como a variedade mais presente nos canaviais da região, com 12% da área total, seguida pelas tradicionais RB966928 e RB867515, ambas com 10%. Logo atrás aparecem RB975242 (7%) e CTC9001 (4%), mantendo o predomínio dos materiais CTC e da Rede RB. Porém, ao observar apenas os plantios da safra 2025/26, o quadro muda: a RB975242 assume a liderança (7,9%), seguida por RB966928 (6,9%), CTC4 (6,4%), RB867515 (5,7%) e pela IACSP01-5503 (5,6%). O movimento indica uma transição gradual no mix varietal das usinas.

Braga ressaltou que o censo alcançou, em 2025, sua maior cobertura histórica. O salto veio com a inclusão das áreas de fornecedores, além das áreas próprias das empresas. Sem essa ampliação, o mapeamento teria ficado restrito a 218 unidades industriais. A consolidação das áreas de terceiros elevou o painel para 321 participantes e adicionou cerca de 1 milhão de hectares ao levantamento. “Ninguém tem mais cana do que o Brasil, e esse censo reflete isso”, avaliou o consultor.

A análise da concentração varietal também trouxe sinais positivos. A referência técnica indica que nenhuma cultivar deveria ultrapassar 15% da área total, para mitigar riscos sanitários. O setor, segundo o IAC, internalizou essa estratégia. No plantio recém-executado, a variedade líder ocupa apenas 8% da área, evidenciando maior equilíbrio entre as principais cultivares.

O censo ainda compara o desempenho dos programas de melhoramento no “ano e meio”, medindo a relação entre plantios e colheitas. As variedades RB registraram queda de 5% na participação, enquanto o portfólio CTC avançou 3%. Já os materiais do Programa Cana IAC apresentaram expansão mais acelerada, com aumento de 33%, impulsionado por cultivares como IACSP01-5503, IACSP04-6007, IACSP95-5094, IACCTC07-7207 e IACSP01-8008.

Entre os destaques, a IACSP01-5503 se consolidou como a variedade de maior aceleração no Centro-Sul. Ela já ocupa a sexta posição entre as mais plantadas na safra 2025/26 e aparece entre as três primeiras intenções de plantio em polos como Ribeirão Preto, Jaú, Piracicaba, Triângulo Mineiro, Mato Grosso e Goiás. Em algumas regiões de Goiás e Mato Grosso, as variedades IAC lideram simultaneamente os plantios recentes e a intenção futura.

O levantamento de intenção de plantio contou com respostas de 190 empresas e abrange 965 mil hectares nas duas regiões produtoras. No Centro-Sul, o panorama é de disputa acirrada: CTC9006 (7,4%), RB075322 (7,3%) e IACSP01-5503 (7,1%) aparecem praticamente empatadas. Na sequência, cultivares como RB966928, RB127825, RB975242 e CTC9003 ocupam faixas entre 4% e 6%. Segundo Braga, é a menor concentração da série histórica.

No Norte/Nordeste, o comportamento é diferente. A RB08791 domina as intenções, com 29,1%, seguida pela RB92579 (13,7%) e pela RB127825 (6,2%). Apesar da concentração elevada, a idade média das variedades desejadas caiu para 22 anos desde o cruzamento, dois anos a menos que no Centro-Sul, indicando renovação mais ágil. A presença da IACSP04-6007 entre as mais citadas sinaliza a entrada crescente do programa paulista na região.

Também foi atualizado o “termômetro varietal”, indicador que avalia intensidade de plantio, idade dos canaviais, precocidade, perfilhamento, tombamento e diversidade. Regiões como Triângulo Mineiro, Assis, Jaú, São José do Rio Preto e Paraná exibem baixa concentração varietal e alta atualização, com presença marcante de materiais lançados nos últimos 15 anos. Já estados como Mato Grosso e parte de Minas Gerais, além de ES e RJ, mantêm grande peso de variedades tradicionais como RB867515, RB855453 e SP80-1816, o que eleva a idade média do canavial e aumenta a exposição a riscos sanitários.