CEPA transforma Angélica-MS em polo sucroenergético nacional com pesquisa agronômica aplicada em cana-de-açúcar
23-06-2026

Centro experimental exclusivo no Mato Grosso do Sul conecta ciência, inovação no agronegócio e resultados reais de safra

Enquanto o Mato Grosso do Sul consolida sua posição como um dos principais polos sucroenergéticos do Brasil, cresce também a necessidade de pesquisas desenvolvidas nas condições específicas de solo e clima do estado. É nesse cenário que surge o CEPA – Centro Experimental e Pesquisa Agrothina, localizado na Fazenda Maritaca, no município de Angélica-MS, a aproximadamente 270 quilômetros de Campo Grande.

Voltado exclusivamente à pesquisa aplicada em cana-de-açúcar, o CEPA vem se destacando como uma das mais estruturadas estações experimentais do país para validação de tecnologias em condições reais de campo. O centro conecta empresas, pesquisadores e profissionais do setor em um ambiente voltado à geração de conhecimento técnico, inovação e resultados práticos para à canavicultura.

Com infraestrutura moderna e foco em resultados práticos por safra, o centro reúne mais de 90 empresas parceiras que conduzem experimentos com nutrição de solo, soluções biológicas, fertilizantes, correção, manejo de canavial e tecnologias de precisão. Cada ciclo gera dados concretos sobre produtividade agrícola da cana que são validados nas condições específicas da área sul-mato-grossense.

"O CEPA nasceu de uma necessidade concreta do setor no MS. Não tínhamos um espaço dedicado exclusivamente à pesquisa aplicada em cana-de-açúcar, onde empresa, pesquisador e produtor pudessem trabalhar juntos sobre o mesmo solo, nas mesmas condições reais. Isso faz toda a diferença para a tomada de decisão técnica", afirma Thiago Veloso, engenheiro agrônomo, especialista em cana-de-açúcar e diretor-fundador do CEPA  do CEPA.

Para a Biosul, entidade que representa as 22 unidades produtoras de bioenergia de Mato Grosso do Sul, a capacidade de gerar conhecimento técnico nas condições locais é um ativo estratégico para o setor, contribuindo para a adoção de novas tecnologias, o aprimoramento dos sistemas produtivos e a evolução contínua da atividade.

"O aumento da produtividade é fundamental para a competitividade das usinas de bioenergia em Mato Grosso do Sul. Com condições climáticas cada vez mais imprevisíveis e desafiadoras, é preciso fortalecer a geração de conhecimento técnico e aprimorar as práticas de manejo com soluções adaptadas à realidade de solo, clima e produção do Estado. É justamente nesse contexto que iniciativas como o CEPA ganham relevância, ao aproximar pesquisa, inovação e produção para gerar conhecimento técnico aplicado à realidade do Estado, contribuindo para decisões mais assertivas e para a evolução contínua dos sistemas produtivos", destaca o diretor técnico da Biosul, Érico Paredes.

Polo sucroenergético em expansão exige pesquisa local

O Mato Grosso do Sul vive um ciclo de crescimento expressivo no setor sucroenergético com 19 usinas de cana-de-açúcar e 3 dedicadas ao etanol de milho. A produção de etanol para o ciclo 2025/2026 está projetada em 4,7 bilhões de litros, 11% acima do ciclo anterior. A produção de açúcar deve alcançar 2,6 milhões de toneladas, crescimento de 30% sobre a safra corrente. O estado consolida sua posição como 4º maior produtor nacional de etanol e cana-de-açúcar e 5º maior produtor de açúcar e um dos principais polos de bioenergia do Brasil e a demanda por pesquisa agronômica local nunca foi tão alta.

Segundo dados da BIOSUL, o estado tem cerca de 800 mil hectares dedicados ao cultivo de cana-de-açúcar e unidades industriais estrategicamente distribuídas, a atividade do setor está presente em 42 municípios e é responsável pela geração de 33 mil empregos diretos, movimentando mais de R$ 1,3 bilhão em massa salarial, um dos maiores volumes entre os segmentos industriais do estado.

O modelo do CEPA responde diretamente a essa demanda. Trata-se de uma estrutura privada com propósito declaradamente público: gerar e democratizar conhecimento técnico que impulsione a produtividade agrícola da cana no estado. O centro tem a função de produzir dados reais, gerados no MS.

"O setor cresceu muito rápido aqui no MS. A área plantada aumentou, as usinas se modernizaram, o volume de investimento é expressivo. Mas o crescimento sem pesquisa agronômica local tem um limite. O CEPA existe para eliminar esse gargalo e para que o produtor e o gestor de usina tomem decisões com base em dados gerados aqui, no nosso clima, no nosso solo, na nossa realidade", explica Juvandir Pereira de Sá, diretor-fundador do CEPA r do CEPA.

Estação experimental que valida tecnologia em campo real

O funcionamento do CEPA tem uma lógica direta: empresas do setor instalam seus experimentos nos campos da Fazenda Maritaca, conduzem estudos sobre cultivares de cana, manejo de canavial, nutrição e biológicos, e ao final de cada ciclo os resultados de safra são avaliados e apresentados ao mercado. O centro funciona como plataforma neutra e segura em um espaço de validação científica onde o dado de campo prevalece sobre o argumento comercial.

Esse modelo atrai um perfil diversificado de parceiros: fabricantes de fertilizantes, desenvolvedores de soluções biológicas, empresas de tecnologia de precisão e fornecedores de insumos de correção de solo. Todos compartilham o mesmo ambiente experimental, o que permite comparações técnicas rigorosas entre diferentes abordagens de manejo e acelera a adoção de inovações pelo setor.

A iniciativa conta com apoio institucional de importantes entidades ligadas ao desenvolvimento do setor sucroenergético, entre elas a Biosul, a Prefeitura Municipal de Angélica, a Câmara Municipal de Vereadores e instituições de ensino e pesquisa como UEMS, IFMS e Unigran.

Para Thiago Veloso, o grande diferencial da estação experimental está na independência e na transparência dos processos. “As empresas parceiras apresentam suas tecnologias e protocolos, mas toda a condução dos ensaios ocorre sob a gestão técnica do CEPA, garantindo avaliações imparciais e resultados confiáveis. Os dados gerados pertencem às empresas para apoiar a evolução de seus produtos e estratégias. Quando uma tecnologia demonstra desempenho superior, não é apenas uma empresa que avança e sim todo o setor sucroenergético que se beneficia. Essa seriedade, aliada à transparência na geração e interpretação dos resultados, é o que sustenta a credibilidade do nosso trabalho.”

Inovação no agronegócio sul-mato-grossense e formação de profissionais

Além da pesquisa agronômica aplicada, o CEPA investe na formação de novas gerações para o setor sucroenergético. O centro recebe regularmente estudantes de escolas agrícolas da região e universitários em visitas técnicas, com programação voltada ao aprendizado prático e ao contato direto com as tecnologias mais atuais da cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

O impacto regional ultrapassa os limites da Fazenda Maritaca. Ao posicionar Angélica-MS como referência nacional em pesquisa aplicada em cana-de-açúcar, o CEPA contribui para o desenvolvimento econômico do município e para o reconhecimento do Mato Grosso do Sul como polo estratégico de inovação no agronegócio brasileiro.

"A gente quer que daqui a dez anos as pessoas olhem para o MS e enxerguem um estado que não apenas produziu mais, mas que pesquisou, inovou e formou profissionais. O CEPA quer ser parte dessa história", diz Juvandir Pereira de Sá.

CEPAFARM MS 2026 em Novembro: o evento técnico que movimenta o setor

Uma vez por ano, o CEPA abre as portas da Fazenda Maritaca para o mercado. O CEPAFARM MS, um dos principais eventos técnicos do setor sucroenergético do Mato Grosso do Sul, reúne especialistas, gestores de usinas, agrônomos e pesquisadores de todo o Brasil para um dia de campo com demonstrações práticas em campos experimentais, palestras técnicas, networking de alto nível e experiências culturais regionais.

A primeira edição, realizada em 2025, reuniu mais de 1200 participantes, representantes de mais de 70 empresas parceiras e visitantes internacionais do Paraguai, Uruguai e Holanda, além de uma programação exclusiva voltada a estudantes e futuros profissionais do agronegócio.

O CEPAFARM MS 2026 já está em preparação e acontecerá nos dias 24 e 25 de novembro, com mais de 90 campos experimentais e programação ainda mais robusta, com novos palestrantes, especialistas, gestores, pesquisadores e lideranças do setor,  networking com profissionais e empresas de todo o Brasil, cozinha show e música ao vivo, tudo voltado as principais tendências da canavicultura, consolidando o evento como referência nacional em pesquisa, inovação e resultados para a cana-de-açúcar.

Ao conectar pesquisa, empresas, universidades e profissionais do campo, o CEPA fortalece a competitividade da canavicultura sul-mato-grossense e contribui para consolidar o estado como referência nacional em inovação aplicada ao setor sucroenergético.

Mais informações em www.cepams.com.br e no Instagram @cepadoms