CerradinhoBio reforça aposta em etanol de milho
29-06-2021
O tombo que o mercado de etanol sofreu logo no início da pandemia foi visto por alguns agentes como prova de que a produção do biocombustível a partir do milho não seria economicamente viável. Mas, na CerradinhoBio, empresa de etanol e energia de Goiás, a visão não apenas foi outra como a companhia decidiu agora ampliar a capacidade de produção em sua planta atual.
A partir de setembro, a empresa dará início a um investimento de R$ 206 milhões para expandir a capacidade de processamento de milho em 185 mil toneladas por ano, para um total de 750 mil toneladas. Com isso, a produção de etanol apenas a partir do milho poderá chegar a 333 milhões de litros ao ano - atualmente, a capacidade é de 250 milhões de litros.
A unidade de processamento de milho, gerenciada pela subsidiária Neomille, está acoplada à usina de processamento de cana da empresa, que produz apenas etanol e energia elétrica, mas não açúcar. Dessa forma, a capacidade de produção total de etanol a partir das duas matérias-primas na unidade "flex" passará a ser de 850 milhões de litros.
O impulso para apostar de novo na tecnologia veio dos resultados obtidos na safra passada, quando a empresa mais do que dobrou seu lucro líquido, que alcançou R$ 265 milhões. A receita líquida aumentou 41%, para R$ 1,7 bilhão, e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, cresceu 28%, para R$ 635,5 milhões.
No setor sucroalcooleiro, uma parcela relevante das usinas vem reportando resultados recorde na safra. Em grande medida, as empresas atribuem os números ao desempenho na produção e exportação de açúcar - que compensou as dificuldades iniciais no mercado do biocombustível - e ao controle de custos.
Na produção de etanol de milho, não apenas a demanda recuou no início da pandemia como os custos com a compra do grão dispararam nos últimos meses, com a alta dos preços no mercado internacional. Porém, mesmo sem produzir açúcar, a CerradinhoBio não vê a situação como um beco sem saída.
"Não há um total descasamento [entre os mercados de milho e etanol]", defende Paulo Motta, CEO da companhia. Ele argumenta que, assim como o etanol, cujos preços dependem da paridade de importação da gasolina, o preço do milho no mercado interno também é influenciado pela cotação do dólar, e que há uma "condição macroeconômica" que vem impulsionando os preços das commodities em geral, seja dos grãos, seja do petróleo e do complexo energia.
Segundo o executivo, para gerir os custos, a empresa antecipa as compras de milho com os produtores da região, acompanhando o ritmo de comercialização da safra. E ainda reforça seus resultados com as vendas de DDGs (Dried Distilled Grains) - composto proteico produzido junto do etanol a partir do milho, vendido como ração. Na safra passada, as vendas de DDGs cobriram 41% dos custos de compra de milho, e, segundo Motta, a demanda está acima da capacidade que a CerradinhoBio tem de entregar ao mercado.
Com a expansão da planta, a empresa também pretende sustentar seu crescimento com menos empenho de recursos. "Esse crescimento é diferenciado, com menos capex [aporte em bens de capital] e aumento da nossa eficiência geral", diz Motta. A capacidade adicional deve entrar em operação em setembro de 2022.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA

