Chegada das chuvas deve provocar correria nos canaviais
10-10-2024

Com as chuvas a cana renasce, mas também pragas, doenças e planta daninhas retomam em um ritmo mais acelerado

A seca na região Centro-Sul do Brasil foi considerada uma das longas (seis meses) e severa da história. Provocando nas plantas alto índice de estresse hídrico e térmico. Plantio e até o manejo agrícola foram interrompidos. Outro agravante, é que a seca aliada aos incêndios matou parte da socaria, o que exigirá o replantio de falhas, ou até a renovação total da área.

Mas a expectativa é de que as chuvas previstas para iniciarem nesta semana devam provocar uma correria nos canaviais. Pois a época a chuvosa é a preferida das pragas da cana, entre elas a cigarrinha-da-raízes, considera praga-chave para a cultura da cana-de-açúcar. Podendo ser encontrada em praticamente todas as regiões canavieiras do Brasil. Entre os prejuízos causados pela cigarrinha, destacam-se a redução do teor de açúcar e aumento do teor de fibras e de colmos mortos. Além disso, as ninfas extraem grande quantidade de água e nutrientes das raízes, impactando negativamente no desenvolvimento da cultura.

Segundo pesquisadores, a intensidade dos danos da cigarrinha na cana-de-açúcar depende de três fatores principais: população – quanto mais intensa, maior será o dano –; variedade – algumas perdem de 60% a 70% da produtividade, enquanto outras, de 10% a 20%; e a idade e o tamanho da planta ao sofrer o ataque – a cana de final de safra sofre mais com o ataque da cigarrinha do que a cana colhida em maio, por exemplo. Por conta disso, a cana de fim de safra registra queda de produtividade superior do que os vistos na cana colhida em maio.

O manejo correto de plantas daninhas nos canaviais é fundamental, pois qualquer descuido com a matocompetição pode derrubar a produtividade de uma área entre 25% e 80%.

PLANTAS DANINHAS – após longo período de seca e com a volta das chuvas, também é esperado alta matocompetição nos canaviais da região Centro-Sul, agravada pela morte de parte da socaria e menor desenvolvimento da cana, que não fechou as linhas, facilitando o crescimento das plantas daninhas que durante a época úmida encontram condições climáticas ideais como umidade, temperatura e luminosidade, que influenciam diretamente na germinação, desenvolvimento e crescimento dessas plantas.

As principais espécies favorecidas neste período são as chamadas fisiologicamente de C4, ou seja, são aquelas que não apresentam saturação luminosa para produção de fotossíntese. Nesse grupo, destacam-se a Tiririca, os capins e as folhas largas de difícil controle, como a Mucuna, Mamona, Merremias e Ipomeias.

O controle de plantas daninhas não pode ser negligenciado, pois se trata do principal problema fitossanitário dos canaviais, exigindo o manejo adequado e aplicação de herbicidas eficientes para não comprometer a rentabilidade da lavoura. Afinal, qualquer descuido com a matocompetição pode derrubar a produtividade de uma área entre 25% e 80%.

Pelo jeito, o pessoal da agrícola terá muito trabalho pela frente.