Chuvas acima de 150 mm em dezembro sustentam lavouras, mas excesso já compromete operações no campo
20-01-2026
Boa reposição hídrica favorece desenvolvimento das culturas, enquanto colheita da soja e plantio do algodão enfrentam atrasos
Por Andréia Vital
O início de 2026 foi marcado por um cenário climático predominantemente favorável ao desenvolvimento das lavouras no Brasil, com chuvas bem distribuídas entre dezembro e a primeira quinzena de janeiro. Segundo o Agro Mensal do Itaú BBA de janeiro de 2026, os acumulados superaram 150 milímetros em grande parte do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, garantindo reposição hídrica em um momento crucial do ciclo agrícola.
De acordo com a análise do banco, a regularidade das precipitações beneficiou especialmente a soja, favorecendo o enchimento de grãos e o avanço das lavouras mais tardias. No Sudeste, as chuvas também contribuíram para o desenvolvimento de culturas perenes como café, cana-de-açúcar e citros, embora, em algumas áreas, os volumes tenham ficado abaixo da média histórica e acompanhados por temperaturas elevadas, o que gerou preocupação pontual para o café.
O relatório identifica, contudo, que o excesso de umidade começou a gerar impactos operacionais relevantes. A persistência de chuvas em praticamente todas as regiões agrícolas durante as primeiras semanas de janeiro passou a dificultar a entrada de máquinas nas lavouras, atrasando a colheita da soja e o plantio do algodão. Esse atraso tem efeito direto sobre o calendário da segunda safra de milho, cuja produtividade depende de uma janela de plantio mais restrita.
Segundo o banco, entre 18 e 23 de janeiro novos sistemas de instabilidade devem reforçar as chuvas em estados como Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Piauí e Bahia, justamente no momento de avanço da colheita da soja. Em fevereiro, acumulados elevados no centro-norte do país podem prolongar períodos de invernada, reduzindo ainda mais a janela ideal do milho safrinha. Apesar disso, a combinação entre boa umidade acumulada e reposição contínua mantém a perspectiva geral de produtividade estável para a safra.

