Ciclone extratropical atinge o Brasil nesta semana
27-02-2026
Fenômeno no Atlântico Sul provoca ventos fortes e ressaca
Por Andréia Vital
O Brasil enfrenta nesta semana a atuação de um ciclone extratropical no Atlântico Sul, sistema atmosférico comum na região, mas que tem ampliado seus impactos sobre áreas litorâneas e, em alguns casos, no interior do país. Ventos intensos, chuvas volumosas e ressaca marítima estão entre os principais efeitos associados ao fenômeno.
Segundo Robson Costa, engenheiro ambiental e professor da Estácio, os ciclones extratropicais sempre ocorreram no Atlântico Sul, sobretudo nas proximidades da costa da Argentina, do Uruguai e do Rio Grande do Sul. O que tem chamado atenção, afirma, é a maior frequência com que esses sistemas se formam ou se deslocam próximos ao litoral brasileiro.
“Na verdade, os ciclones extratropicais sempre foram comuns no Atlântico Sul. O que mudou foi a frequência com que eles se formam ou se deslocam muito próximos ao litoral brasileiro, impulsionados pelo contraste térmico entre massas de ar polar e massas de ar tropical, que está mais acentuado”, explica.
Entre os principais riscos estão ventos capazes de provocar quedas de árvores, destelhamentos e danos à rede elétrica, além de chuvas intensas. “O ciclone funciona como uma bomba que puxa umidade, causando inundações e deslizamentos de terra. Outro impacto relevante é a ressaca marítima, quando o vento intenso empurra a água contra a costa, dificultando a navegação e acelerando a erosão das praias”, afirma.
De acordo com o especialista, esses sistemas são mais frequentes e intensos durante o outono e o inverno, período em que as frentes frias são mais rigorosas e o contraste de temperatura com o ar quente vindo do Norte se torna mais acentuado. Ele acrescenta que o aquecimento global pode estar contribuindo para a intensificação dos fenômenos.
“O aumento da temperatura da superfície do mar fornece mais energia para a atmosfera. Quanto maior a energia disponível, mais profundo é o centro de baixa pressão do ciclone, resultando em ventos mais destrutivos e chuvas recordes”, diz.
Embora não sejam novos, os ciclones ganharam maior visibilidade com o avanço do monitoramento por satélite e a expansão urbana em áreas vulneráveis, o que amplia a percepção de maior frequência e severidade, especialmente nas regiões costeiras.
Outro termo que costuma gerar preocupação é o chamado ciclone bomba, expressão popular para a ciclogênese explosiva. “O fenômeno ocorre quando a pressão atmosférica no centro do sistema cai de forma muito rápida, pelo menos 24 milibares em 24 horas. Essa queda brusca intensifica significativamente os ventos e torna o sistema mais violento e súbito do que um ciclone extratropical comum, aumentando o potencial de danos”, afirma.

