Clima adverso derruba produção de cana em 5,6% na safra 2025/26 em Minas
20-04-2026
Produtividade de cana-de-açúcar foi afetada por estiagem e altas temperaturas
Michelle Valverde
O clima adverso ao longo da safra 2025/26, em Minas Gerais, impactou de forma negativa na produtividade da cana-de-açúcar. Conforme o 4º Levantamento da Safra de Cana-de-açúcar, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção estadual ficou 5,6% inferior, com a colheita de 77,1 milhões de toneladas de cana. O presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar em Minas Gerais ( Siamig Bioenergia), Mário Campos, discorda do levantamento da Conab e aponta para uma produção ainda menor na safra que se encerrou, com a moagem de 74 milhões de toneladas.
Assim como no Estado, o clima também prejudicou as demais regiões produtoras. Diante do cenário, a produção nacional de cana chegou a 666,4 milhões de toneladas, redução de 0,5% em relação à 2024/25.
Campos ressalta que a safra enfrentou problemas climáticos rigorosos que provocaram perdas bastante significativas.
“O número que a Conab publicou, na nossa concepção, está errado. Na realidade, nós terminamos a safra com 74 milhões de toneladas de cana moída, foi uma queda bem expressiva. No ano anterior, a gente tinha batido recorde de produção. Foi um ano muito difícil, muito complicado. Em Minas Gerais, várias empresas do setor tiveram forte redução de produtividade, o que foi minimizado um pouco com o aumento de área. Então, o nosso número real é de 74 milhões de toneladas e esse número da Conab está totalmente equivocado”.
Conforme os dados, a área em produção em Minas Gerais cresceu 5,1% e chegou a R$ 1,03 milhão de hectares. Apesar do aumento, a área produtiva maior não foi suficiente para compensar as perdas na produtividade, que caiu 10,2% e gerou um rendimento por hectare de 74,4 toneladas de cana.
A Conab explica que a queda na safra da cana foi influenciada pela diminuição da produtividade média, resultado das condições climáticas desfavoráveis registradas durante as fases de desenvolvimento das lavouras após a colheita em 2024. Em Minas Gerais, ao longo da safra, foram registrados períodos de estiagem, altas temperaturas e incêndios, que comprometeram a rebrota e o desenvolvimento das lavouras.
Produção de açúcar crescer, enquanto etanol recuou
A temporada 2025/26 – que foi finalizada no último mês – confirmou uma maior produção, ainda que pequena, de açúcar. Ao todo, foram 41,7 milhões de toneladas do adoçante, o que representa uma alta de apenas 0,8%. A produção de açúcar em Minas Gerais se destacou como a segunda maior do Brasil em âmbito estadual, atrás apenas de São Paulo.
Conforme a Conab, o mercado se mostrou mais favorável à fabricação do adoçante na maior parte da temporada, em comparação com a produção de etanol, fazendo que houvesse maior direcionamento da matéria-prima à geração de açúcar em relação ao biocombustível, especialmente pelos preços mais atrativos do primeiro.
Para Campos, os dados da Conab em relação à produção de açúcar e etanol estão muito próximos aos levantados pelo Siamig. “Na safra, o mix de produção foi mais açucareiro, fruto dos investimentos que tivemos nos últimos anos para diversificação de produção e aumento desse mix. Obviamente, com menor quantidade de cana, a produção como um todo foi afetada. No nosso número, houve redução da produção de açúcar, mas ficou muito próximo à safra anterior. Já o etanol teve uma redução muito forte, caindo mais de 20%”.
Os dados da Conab mostram que a produção total de etanol, em Minas Gerais, caiu 20,5% e encerrou a safra com 2,7 bilhões de litros ou 700 milhões de litros a menos. A menor produção de cana-de-açúcar em 2025/26, somada à redução no ATR médio e a retração dos preços do biocombustível durante boa parte do ciclo, fez com que o etanol de cana-de-açúcar perdesse competitividade frente ao açúcar e levou muitas indústrias sucroenergéticas a optarem pela fabricação do adoçante em detrimento do biocombustível.
Entre os etanóis, a fabricação do anidro registrou queda de 13,4%, encerrando a safra com um volume de 1,04 bilhão de litros. O volume de etanol hidratado, 1,66 bilhão de litros, caiu 24,5% frente à safra anterior.
Expectativa para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar é de retomada do crescimento
Após um ano considerado difícil para o setor sucroenergético, a expectativa para a próxima safra é totalmente diferente. “A gente, provavelmente, vai retornar aos níveis de produtividade históricos. As chuvas foram adequadas ao movimento da cana-de-açúcar. Há uma expectativa muito positiva em termos de produção de cana para esse ano”, disse o presidente da Siamig Bioenergia, Mário Campos.
Ele explica que a definição de mix – mais etanol ou mais açúcar – dependerá de algumas conversas com o governo estadual, onde a entidade busca medidas para tornar o etanol mais competitivo.
“Hoje, nós enfrentamos uma forte competição por parte dos estados do Centro-Oeste e se nós tivermos uma boa perspectiva das conversas junto ao governo estadual, quem sabe a gente possa ter uma reversão desse mix e, assim, aumentar a produção de etanol no Estado”.
Fonte: Diário do Comércio

