Clima deve tornar 2026 mais instável do que 2025 no Brasil
14-01-2026
Oscilações oceânicas e atmosféricas ampliam risco de calor extremo, chuvas irregulares e episódios de frio intenso ao longo do ano
Após um 2025 marcado por incursões frequentes de massas de ar polar, ventos extremos e eventos severos distribuídos ao longo das estações, 2026 tende a apresentar um quadro ainda mais instável do ponto de vista climático. A avaliação é da Climatempo, que projeta um ano com maior variabilidade atmosférica e oceânica, combinando episódios de calor fora de época, ondas de frio e irregularidade no regime de chuvas.
Segundo a consultoria, a atuação combinada de fenômenos como La Niña, a posterior formação de El Niño e a influência de padrões de variabilidade de curto prazo deve dificultar previsões de longo alcance e exigir maior atenção de governos e empresas. “Será um ano com oscilações ao longo dos 12 meses, o que aumenta a necessidade de monitoramento constante para reduzir riscos e impactos”, afirma o meteorologista Vinicius Lucyrio. Entre os setores mais expostos estão energia, abastecimento, agronegócio, logística e infraestrutura.
Verão com calor intenso e chuvas irregulares
O calor observado no verão não deve se limitar aos primeiros meses do ano. A expectativa é de que 2026 volte a registrar temperaturas acima da média recente, com alternância entre períodos muito quentes e intervalos de chuvas fortes acompanhadas de quedas pontuais de temperatura. Os chamados veranicos tendem a se repetir, intercalados com episódios de precipitação intensa, sem a regularidade necessária para uma recomposição segura dos reservatórios.
No Centro-Sul, a segunda metade do outono e o início do inverno, entre maio e começo de julho, devem concentrar extremos térmicos, com incursões de frio mais intenso em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e nos estados do Sul. Após esse período, o calor volta a ganhar força ainda durante o inverno, avançando pela primavera.
Oscilações globais elevam a incerteza climática
Com o pico de intensidade do La Niña já alcançado, o início de 2026 ocorre sob a influência de padrões que alternam de fase em curtos intervalos, como a Oscilação Madden-Julian, responsável por ciclos de maior e menor formação de nuvens e chuvas no verão brasileiro. Modelos sazonais indicam que, até o fim da estação, ondas de calor e períodos chuvosos devem se alternar, limitando a regularidade das precipitações no Sudeste e no Centro-Oeste.
Nesse contexto, mesmo com volumes expressivos de chuva em bacias como as dos rios Grande e Paranaíba, a reposição dos níveis dos reservatórios tende a ocorrer de forma gradual e abaixo do ideal. O sistema Cantareira, em São Paulo, deve enfrentar dinâmica semelhante. A partir do fim do verão e início do outono, há possibilidade de um intervalo mais úmido, associado à neutralidade climática no Pacífico, o que pode favorecer alguma recuperação hídrica.
Além disso, a Oscilação Antártica também deve contribuir para a variabilidade ao longo do ano. Em fases positivas, tende a limitar o avanço de frentes frias, mantendo temperaturas mais elevadas no Brasil. Em fases negativas, facilita a chegada de massas de ar polar, elevando o risco de ondas de frio e geadas, sobretudo no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Segundo semestre com calor fora de época e eventos extremos
Com a formação do El Niño prevista para o início do inverno, o segundo semestre deve apresentar características atípicas. Agosto pode marcar o início de ondas de calor com temperaturas significativamente acima da média, que se estendem por setembro e outubro, período de retorno gradual das chuvas. No Matopiba, a previsão indica chuvas fora de época nesses meses, combinadas com calor intenso e baixa regularidade, o que exige cautela nas decisões de plantio.
O aquecimento do Pacífico tende, por outro lado, a favorecer a demanda por ventilação e refrigeração, com aumento da procura por ventiladores e aparelhos de ar-condicionado diante do calor persistente fora de época.
Na Amazônia, a expectativa é de cheia mais elevada no Rio Negro em Manaus, seguida por recuo acentuado no segundo semestre, sem indicativos relevantes de prejuízo à navegação. Já no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, bloqueios atmosféricos podem provocar chuvas muito acima da média a partir de setembro, elevando o risco de temporais com ventos fortes e granizo nos meses finais do ano.
Redação com informações do Clima Tempo

