CNPEM lança coquetel enzimático brasileiro com potencial de transformar mercado nacional de biorrefinarias
20-03-2026
Insumo tem potencial de reduzir emissão de gases do efeito estufa e revolucionar a produção de biocombustíveis e bioprodutos
O CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) lançou a chamada pública para distribuição de amostras de um insumo biotecnológico vital para biorrefinarias. O coquetel enzimático denominado OpEn, desenvolvido inteiramente no Brasil, tem potencial de reduzir a emissão de gases do efeito estufa e revolucionar a produção de biocombustíveis e bioprodutos no país.
A distribuição do coquetel OpEn é voltada a pesquisadores de instituições acadêmicas e científicas sem fins lucrativos interessados em co-desenvolver, customizar e aprimorar a tecnologia para diferentes cadeias produtivas e tipos de biomassa vegetal. O público-alvo inclui pesquisadores acadêmicos vinculados a ICTs públicas ou privadas, universidades e centros de pesquisa. Empresas e startups também podem solicitar a tecnologia, mediante avaliação direta do CNPEM.
“O coquetel OpEn é uma tecnologia habilitadora para biorrefinarias, resultado de 15 anos de investimento e pesquisa em biotecnologia avançada, e que motivou a criação de uma área do CNPEM com potencial de geração de autonomia tecnológica de ponta a ponta para a produção nacional sustentável de energia e outros bioprodutos”, explica Mario Murakami, diretor do Laboratório Nacional de Biorrenováveis do CNPEM.
Atualmente, o Brasil ainda depende de enzimas importadas sem similar nacional disponível em escala comercial. Com desempenho comprovado e tecnologia patenteada, OpEn possui hoje mais de oitenta versões, adaptadas para diversas cadeias produtivas e aprimoradas por descobertas da biodiversidade, alcançando uma redução de até 50% nas emissões de gases de efeito estufa.
"A tecnologia OpEn é fruto da integração de diversas infraestruturas e expertises do CNPEM, demonstrando como nossa capacidade multidisciplinar pode transformar o Brasil de produtor de commodities em desenvolvedor de biotecnologias avançadas. Por aliar sustentabilidade e inovação, este coquetel enzimático é estratégico para nossa bioeconomia e colabora para posicionar o país na vanguarda da produção de biocombustíveis e bioprodutos", destaca Antonio José Roque da Silva, Diretor-Geral do CNPEM.
Produzido a partir de subprodutos da indústria sucroenergética, OpEn possui baixo custo, não gera resíduos e ainda permite o aproveitamento da biomassa remanescente como ração animal. A tecnologia foi customizada para atender às condições específicas das biorrefinarias brasileiras, com alta flexibilidade para diferentes matérias-primas, incluindo resíduos da cana-de-açúcar, milho e florestais. O coquetel já foi validado em planta piloto com 100% de reprodutibilidade, e mais de cinco toneladas foram produzidas e validadas até o momento.
A tecnologia OpEn possui adaptações que incluem modificações genéticas em enzimas do fungo Trichoderma reesei, visando aumentar a produtividade e a eficiência da conversão de resíduos agroindustriais em energia, alimentos e bioquímicos. Além da produção de etanol 2G e 1.5G, OpEn pode ser aplicado em processos industriais integrados, nutrição animal e novas rotas de despolimerização de biomassa.
Etanol 2G e 1.5G: o que são?
O etanol de segunda geração (2G) é produzido a partir de resíduos vegetais como bagaço e palha de cana-de-açúcar, que normalmente não são utilizados na produção convencional (1G), baseada no caldo da cana. Já o etanol 1.5G maximiza o uso dos grãos de milho, incluindo frações residuais do processamento, permitindo maior aproveitamento da biomassa sem requerer adaptação de infraestrutura industrial.
Distribuição para fins de pesquisa básica e aplicada
A chamada pública permite que instituições acadêmicas brasileiras recebam gratuitamente uma amostra de 250 ml do coquetel para testes laboratoriais, mediante aprovação e assinatura de um Termo de Transferência de Material (MTA).
Avanços inspirados na biodiversidade
Uma das versões da tecnologia OpEn embarca uma importante descoberta a partir da biodiversidade brasileira: a enzima CelOCE. Trata-se de uma nova classe de biocatalisador com estrutura e mecanismo de ação inéditos, capaz de acelerar a transformação da celulose e aumentar em até 21% a liberação de glicose em condições industriais.
Por constituir uma estrutura minimalista com apenas 115 aminoácidos, a substância abre perspectivas de novos usos futuros ou mesmo de desenvolvimento de enzimas sintéticas, com aplicações inclusive em reaproveitamento de resíduos plásticos.
A descoberta, publicada na revista Nature, amplia as perspectivas para o desenvolvimento de formulações ainda mais eficientes da tecnologia OpEn, fortalecendo a transição para uma bioeconomia de baixo carbono e demonstrando a importância da preservação da biodiversidade brasileira. Mais informações: coquetelenzimatico@cnpem.br.
Fonte: Uagro

