Cobertura vegetal desafia terraceamento e reposiciona manejo regenerativo da cana
O Conexão Cana Regenerativa, realizado pela Agrociência Consultoria a bordo do navio Homero Krähenbühl, em Barra Bonita - SP, reuniu produtores, pesquisadores e usinas em uma imersão técnica sobre práticas regenerativas na canavicultura. Entre os destaques esteve a apresentação de Jairo Mazza, da Athenas Consultoria, que defendeu intervenções profundas no solo para recuperar infiltração, reduzir compactação e aumentar a resiliência dos canaviais.
Mazza mostrou dados de áreas com 15% de argila que, após o segundo corte, registram quedas severas na infiltração. “Não é falta de água, é falta de solo funcionando”, afirmou, explicando que a chuva de verão escoa para os terraços. Para ele, o terraceamento agrava o problema ao obrigar máquinas a pisar entrelinhas. “Se eu arrumar a linha para acompanhar o terraço, eu mato o canavial”.
A alternativa, segundo o consultor, está em sistemas radiculares profundos com gramíneas como milheto e Brachiaria ruziziensis, capazes de gerar até 60 t/ha de biomassa. Ele exibiu raízes de barba-de-bode com quase 10 kg de terra aderida, destacando o potencial de estruturação biológica. A cobertura, afirmou, reduz impacto da gota, evita crostas e transpira água, minimizando saturação.
O especialista também defendeu preparo profundo, especialmente em solos arenosos, incorporando calcário até 55 cm. “Se o solo não abraça o calcário, não há correção de pH.” Perfis de 1 metro analisados no Oeste paulista mostraram potássio acima de 1,5 mmolc/dm³, indicando possível excesso de adubação ao considerar apenas 0–20 cm.
Ele ainda citou déficits hídricos entre 400 e 800 mm no Centro-Oeste, reforçando a necessidade de raízes profundas para acessar água. Segundo Mazza, é possível avançar para um futuro de plantio direto em cana com mais matéria orgânica, reorganização de tráfego e redução gradual do terraceamento tradicional.
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