Colheita avança, moagem da cana sobe 1,79% no fim de agosto e Centro-Sul reduz deficit de produção com relação a 2021
19-09-2022
Com elevação na quinzena, matéria-prima processada na safra chega a 366,2 milhões, em baixa de 6,9%. Produção de açúcar e etanol também permanece em queda no acumulado do ano, mas com margens menores.
Por g1 Ribeirão Preto e Franca
Favorecidas pelo clima seco, as usinas do Centro-Sul colheram mais cana-de-açúcar, principalmente no estado de São Paulo, e conseguiram processar um volume 1,79% maior na segunda quinzena de agosto em comparação com o mesmo período da safra passada.
De acordo com levantamento divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), nas duas semanas avaliadas foram processadas 44,03 milhões de toneladas de cana em 256 plantas industriais, o que ajuda a amenizar a queda acumulada com relação à safra passada.
Depois de uma primeira quinzena de retração, o deficit de produção entre o ciclo passado e o atual caiu de 8,04% para 6,9%, com um total de 366,29 milhões de toneladas desde o final de março e um rendimento médio de 138,01 kg de açúcares totais recuperáveis (ATRs) por tonelada de cana, em baixa de 1,65%.
A expectativa traçada por especialistas para a safra 2022/2023 é de uma moagem total de 562 milhões de toneladas de matéria-prima.
Açúcar e etanol
O maior processamento de cana repercutiu em uma maior produção de açúcar no fim de agosto, o que também ajudou a melhorar o retrospecto de retração da atual safra.
Com os 3,14 milhões de toneladas da quinzena - o que representa 5,77% a mais na parcial -, as usinas totalizam, desde março, 21,77 milhões de toneladas do produto, 10,54% a menos do que no ano passado. No balanço quinzenal anterior, essa diferença negativa era de 12,83%.
Situação oposta foi registrada com o etanol, que teve baixa de 1,23% na segunda quinzena de agosto e tem uma produção acumulada na safra em retração de 4,29%, com 17,94 bilhões de litros. Destes, 10,97 bilhões são de etanol hidratado - concorrente da gasolina - e 6,97 bilhões são do anidro - misturado à gasolina nos postos.
A produção do etanol de milho, por sua vez, segue em alta de 26,32% no atual ciclo agrícola, respondendo por 1,69 bilhão de litros.
Em contraponto à menor produção, as vendas do etanol em agosto, saindo das usinas, tiveram crescimento de 7,51% em comparação com o mesmo mês em 2021, graças principalmente a uma maior demanda pelo anidro que é acrescentado à gasolina, avalia a Unica.
Com os 2,69 bilhões de litros comercializados no mês passado, as empresas do Centro-Sul já negociaram, desde o início da safra, 12,20 bilhões de litros de etanol.

