Com irrigação, colheita de cana na Fazenda São Vicente será ainda mais criteriosa
23-06-2026

A Fazenda São Vicente, em Pitangueiras (SP), desenvolve um projeto de irrigação de salvamento em 3 mil hectares de canavial. Na visita do Cana Show Itinerante, em 18 de junho, Felipe Marchezzi, gerente agrícola, afirmou que a colheita mecanizada feita pela equipe da Usina Virálcool, destino das 450 mil toneladas produzidas, deverá ser ainda mais criteriosa.

Em áreas irrigadas, a maior umidade no solo e no sistema radicular aumenta o risco de arranquio, abalo da soqueira, falhas de brotação e compactação. Por isso, a operação precisa equilibrar rendimento, qualidade do corte basal e preservação da soqueira, já que danos na colheita podem reduzir a produtividade dos cortes seguintes.

Quando a colheita ocorre com solo úmido ou próximo da capacidade de campo, a resistência mecânica diminui e a colhedora pode movimentar a touceira, deslocando rizomas e afetando gemas basais responsáveis pela rebrota. O tráfego de colhedoras, tratores e transbordos  eleva a compactação, reduzindo porosidade, infiltração, aeração e crescimento das raízes.

Os principais riscos são arranquio e abalo da soqueira, pisoteio da linha, compactação do solo e aumento de impureza mineral. Esses problemas se intensificam com solo úmido, velocidade elevada, sulcos malformados, linhas desalinhadas, bitolas incompatíveis e baixa precisão no tráfego.

Entre os cuidados recomendados estão suspender ou reduzir a irrigação antes da colheita, definir uma janela de secamento, avaliar a umidade do solo antes da entrada das máquinas, regular o corte basal, reduzir a velocidade em áreas críticas e manter discos e lâminas em bom estado. É essencial controlar o tráfego com piloto automático e sincronização entre colhedora e transbordo, evitando pisoteio da linha e excesso de carga em solo úmido.

Após a colheita, a equipe deve mapear pontos com pisoteio, arranquio ou falhas de brotação para orientar correções. Em casos de compactação na entrelinha, pode-se avaliar escarificação localizada, desde que não haja danos às raízes e a umidade esteja adequada. O manejo da irrigação no pós-corte deve estimular a rebrota sem manter o solo encharcado.