Como a Reforma Tributária pode mudar a logística do açúcar e etanol
28-09-2026

Rafael Brito, CEO e fundador da Rumo Brasil (Crédito de imagem: Divulgação/Rumo Brasil)
Rafael Brito, CEO e fundador da Rumo Brasil (Crédito de imagem: Divulgação/Rumo Brasil)

A Reforma Tributária do consumo deve alterar também a dinâmica logística de cadeias como soja, milho, carnes, café e açúcar junto do etanol, além do conhecido recolhimento de impostos. Embora produtos agropecuários vendidos in natura tenham direito à redução de 60% nas alíquotas do IBS e da CBS, as diferenças de tratamento entre matérias-primas, produtos processados, insumos e serviços podem mudar a estrutura de custos ao longo da cadeia, com reflexos sobre frete, armazenagem, beneficiamento e definição das rotas.

“No agronegócio, não basta olhar para a tributação da commodity de forma isolada. É preciso entender como o imposto se comporta em cada etapa, pois uma mudança na carga de uma operação pode alterar o custo de toda a cadeia logística”, explica Rafael Brito, CEO e fundador da Rumo Brasil, única consultoria brasileira especializada em gestão tributária, financeira, jurídica e contábil para transportadoras.

Dentro desse contexto, na avaliação do especialista, o açúcar e etanol merecem atenção especial durante a transição para o novo sistema tributário. Confira:

Processamento e distribuição

A cadeia de açúcar e etanol traz uma dinâmica diferente por envolver forte integração entre produção, processamento industrial e distribuição. O grande volume movimentado, as diferentes etapas entre a produção e o destino final e, no caso do etanol, a conexão com a cadeia de distribuição de combustíveis tornam a estrutura tributária uma variável relevante para o planejamento logístico. Na leitura de Brito, cadeias com maior grau de transformação exigem uma análise ainda mais detalhada sobre a formação de custos e a utilização de créditos, sobretudo porque a operação logística está diretamente conectada às etapas industriais.

“Junto de outras, essas cadeias têm características diferentes, mas todas mostram por que a Reforma Tributária precisa ser analisada de forma integrada ao planejamento logístico. Para a transportadora, não será suficiente apenas saber qual imposto incide sobre a carga e sim necessário entender como o modelo de contratação, a origem e o destino, os créditos e cada etapa da operação interferem na margem. Quem antecipar essa análise terá mais condições de ajustar preços, contratos e processos antes que as mudanças se tornem definitivas”, finaliza Brito.