Como o preço do petróleo influencia o mercado de etanol
05-05-2026

Embora o etanol seja produzido a partir de matérias-primas como cana-de-açúcar ou milho, o seu preço não é definido apenas pelo que acontece no campo. O mercado dos biocombustíveis é influenciado pelo setor petrolífero e, por isso, o custo e a disponibilidade dos barris de petróleo impactam tanto na produção quanto no valor do etanol.

Por que o petróleo dita o preço dos combustíveis?

petróleo é um dos principais balizadores da economia mundial e tem interferência em toda a matriz energética, tanto nas energias não-renováveis quanto nas renováveis. 

A principal referência global do preço do petróleo é o do tipo Brent, extraído no Mar do Norte (entre a Noruega e o Reino Unido). De densidade leve e baixo teor de enxofre, é mais fácil e barato de refinar para produzir combustível. A cotação do Brent influencia nas decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+). 

O papel da Opep+

A Opep+ surgiu a partir da Opep, fundada em 1960, durante a Conferência de de Bagdá, pelo Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. A organização objetiva coordenar e unificar as políticas petrolíferas entre os países membros, administrando a exploração, produção, importação e exportação. A Opep foi criada para contrapor o domínio das Sete Irmãs (Amoco, Chevron, Exxon, Mobil, Texaco, Royal Dutch, Shell e British Petroleum)  — como eram conhecidas as sete maiores petrolíferas que, até então, controlavam o setor. 

Ao longo dos anos, outros países passaram a integrar a Opep. Em 2016, foi assinado o acordo Declaração de Cooperação, que formalizou a parceria com outros países produtores de petróleo, dando origem à Opep+. 

Atualmente, a Opep é composta pelos seguintes países: Argélia, Congo, Gabão, Guiné Equatorial, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita e Venezuela. Já a Opep+ engloba: Azerbaijão, Bahrein, Brunei, Cazaquistão, Malásia, México, Omã, Rússia, Sudão e Sudão do Sul.

Petróleo e gasolina: impacto direto

A gasolina, sendo produzida a partir do petróleo, tem seu preço alterado em todas as oscilações da commodity. A Petrobras, por sua vez, utiliza a cotação do Brent para definir o valor de venda da gasolina nas refinarias brasileiras. Por isso, qualquer aumento de preço dos barris de petróleo são repassados ao bolso do consumidor.

O que influencia no preço do petróleo?

 O preço do barril de petróleo não é determinado por um único fator e sim por um complexo conjunto de variáveis. Além das decisões da Opep+, o custo da commodity pode ser alterado, principalmente, pela lei de oferta e demanda e pelo cenário político global. 

As tensões geopolíticas interferem no custo antes de qualquer alteração real na disponibilidade. Em períodos de crise que afetem regiões produtoras ou de rota do petróleo, um valor chamado “prêmio de risco” é embutido no preço do barril por precaução. Por isso, conflitos envolvendo grandes players, como  o Oriente Médio e a Rússia, geram impactos no valor do petróleo. 

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, por exemplo, que ocasionou o fechamento do Estreito de Ormuz, no Golfo do Oriente Médio, interrompeu cerca de 20% dos suprimentos de petróleo e gás do mundo. 

No Brasil, o fator cambial também interfere. Sendo negociado principalmente em dólar, a commodity oscila conforme a moeda. Quando o dólar se valoriza frente ao real, o preço do petróleo no mercado interno é automaticamente elevado.

O fechamento do  Estreito de Ormuz, no Golfo do Oriente Médio, interrompeu cerca de 20% dos suprimentos de petróleo e gás do mundo | Crédito: FoxPictures

Qual a relação entre o valor do petróleo e do etanol?

Ainda que o petróleo seja um combustível fóssil e o etanol tenha origem renovável, os custos de ambos não são determinados de maneira independente. Essa conexão é regida pelo princípio da substitutividade. Quando o preço da gasolina sobe muito, a tendência é que os consumidores optem pelo abastecimento com etanol. Uma vez que a demanda por etanol aumenta, considerando a lei da oferta e procura, o preço do biocombustível também irá subir. Essa dinâmica é necessária para manter o equilíbrio do mercado e ocorre pois, nos veículos flex, a gasolina e o etanol competem pela preferência do condutor. 

Paridade e a regra dos 70%

paridade do etanol é usada para decidir qual combustível compensa mais. O cálculo, tradicionalmente, segue a regra dos 70%. Ao dividir o preço da gasolina pelo do etanol, o resultado menor que 0,7 indica que o etanol é mais financeiramente vantajoso. Entretanto, essa métrica não é uma regra para todos os veículos. 

Para saber com precisão qual combustível é mais barato, o consumidor deve calcular quanto custa cada quilômetro rodado. Este cálculo pode ser feito pela calculadora do Movido pelo Agro, que indica qual o combustível tem o melhor custo-benefício e mensura a quantidade de CO2 que deixa de ser emitida ao escolher o etanol. Clique aqui para acessar a calculadora. 

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Mistura de etanol na gasolina e a segurança energética

No Brasil, a gasolina é misturada ao etanol anidro com três grandes objetivos: torná-la menos poluentereduzir o preço e diminuir a dependência do petróleo. Atualmente, a mistura obrigatória é de 30%. O percentual é fruto de uma das medidas da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Na época em que a lei foi aprovada, a combinação era de 22% a 27%, podendo chegar a 35%. Em 1º de agosto de 2025, a mistura obrigatória foi de 27% para 30%, criando a chamada gasolina E30. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a mudança evitará a importação de 760 milhões de litros de gasolina por ano, o que se reflete na segurança energética e no impulsionamento da produção nacional de biocombustíveis. 

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Devido à disparada do preço do petróleo, que ocorreu devido à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o governo está estudando aumentar o percentual de 30% para 32%. A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) estima que o custo de importação da gasolina subiu 61% após o início do conflito.

mistura de etanol à gasolina é uma medida de segurança à volatilidade do mercado externo de petróleo, pois diminui a necessidade de importação da gasolina. Dessa maneira, a economia nacional é protegida dos efeitos das tensões geopolíticas e o setor bioenergético é consolidado como pilar estratégico da segurança nacional. 

Conclusão: o futuro da matriz energética

Cada vez mais, o etanol reforça sua importância para a segurança energética do Brasil. De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), o setor bioenergético inicia a safra 2026/2027 com projeção de produção recorde de etanol, acrescentando quase 4 bilhões de litros ao mercado — volume quase equivalente ao total de gasolina importado pelo Brasil em 2025.

Ainda conforme dados da UNICA, o etanol gerou R$ 5 bilhões em economia em 2025 e mais de R$ 140 bilhões acumulados desde a introdução dos veículos flex, em março de 2003. 

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De acordo com o presidente da SIAMIG Bioenergia, Mário Campos, o Brasil já substitui de 45% a 46% da gasolina equivalente com etanol, seja com a mistura na gasolina ou com o etanol hidratado. “Se tirar o etanol da nossa estrutura, provavelmente o Brasil dependeria de mais de 50% de importação de gasolina. Hoje, o país depende apenas 10% e, para esta safra, a expectativa é produzir cerca de 4 bilhões de litros adicionais se comparado a 2025″, afirma. 

Acompanhe o perfil do Instagram @siamigbioenergia e fique por dentro das projeções para a safra e cotações dos biocombustíveis.

Com informações de Auto PapoVocê S/A e União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA)

Fonte: Siamig Bioenergia