Compostagem de bagaço exige engenharia antes da biologia
A maior disponibilidade de bagaço em algumas usinas tem levado o setor sucroenergético a avaliar novas formas de valorização dessa biomassa. Entre as alternativas que ganham espaço está a produção de composto orgânico para uso agrícola.
O tema foi apresentado pela engenheira agrônoma Katia Goldschmidt Beltrame, da ESALQ, durante o BioShow realizado em Ribeirão Preto - SP. Segundo a especialista, o desafio começa pela escala do material gerado. A cada tonelada de cana moída são produzidos entre 250 e 280 quilos de bagaço, resíduo com alta concentração de lignina, relação carbono nitrogênio entre 80 e 120 para 1 e baixa densidade aparente, características que tornam a degradação mais lenta.
Para viabilizar a compostagem em larga escala, o processo exige controle rigoroso de parâmetros físicos e químicos. A mistura com resíduos ricos em nitrogênio, como a torta de filtro, é essencial para reduzir a relação carbono nitrogênio para a faixa ideal de 25 a 35 para 1. Umidade entre 50% e 60%, densidade adequada da leira e níveis de oxigênio acima de 10% também são fatores determinantes para a eficiência do processo.
Segundo a pesquisadora, bioinsumos podem acelerar a decomposição inicial, mas não substituem o manejo correto das leiras. “Bioinsumo não faz milagre. Ele potencializa uma ação, mas não corrige defeito de estruturação ou compactação”, afirmou.
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