Congresso e setor produtivo lançam coalizão dos biocombustíveis
05-02-2026
Iniciativa vai acompanhar regulamentação da Lei do Combustível do Futuro e fortalecer a transição energética
Por Andréia Vital
Frentes parlamentares e entidades dos setores energético e agroindustrial lançaram nesta quarta-feira (4), a Coalizão pelos Biocombustíveis, iniciativa criada para acompanhar a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro e atuar pela consolidação do Brasil como protagonista global na transição energética.
O lançamento ocorreu na Câmara dos Deputados e marcou a criação de um novo espaço de articulação institucional voltado ao desenvolvimento de políticas públicas que ampliem o uso de combustíveis renováveis na matriz energética nacional, com foco em sustentabilidade, segurança energética, geração de empregos e crescimento econômico.
Segundo Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil, a Coalizão surge como um instrumento estratégico para dar unidade ao debate sobre o tema. “A iniciativa tem suma importância para o futuro do país porque nasce para dar unidade e força a esse debate, com responsabilidade e visão de longo prazo. Os biocombustíveis são parte da solução para o Brasil e para o mundo”, afirmou.
A Coalizão é formada inicialmente por quatro frentes parlamentares, a Frente Parlamentar da Agropecuária, a Frente Parlamentar do Biodiesel, a Frente Parlamentar do Etanol e a Frente Parlamentar Mista da Economia Verde, ampliando o protagonismo do Congresso Nacional na construção de políticas públicas para o setor.
Durante o lançamento, o deputado federal Arnaldo Jardim, presidente da Comissão de Transição Energética da Câmara dos Deputados, assumiu a coordenação-geral da Coalizão. O Conselho Deliberativo será composto pelos deputados Alceu Moreira, presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, Zé Vitor, presidente da Frente Parlamentar do Etanol, e Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.
A Coalizão nasce com o propósito de fortalecer o reconhecimento dos biocombustíveis como uma política de Estado, integrando energia, indústria, agropecuária e meio ambiente. Entre os pontos defendidos estão o estímulo à produção nacional, a valorização da economia circular, o uso de resíduos na geração de energia limpa e a adoção de critérios técnicos como a Avaliação do Ciclo de Vida, que mede o impacto ambiental completo dos combustíveis.
A iniciativa também defende o planejamento estruturado da substituição gradual dos combustíveis fósseis, com metas claras e mecanismos de financiamento, incluindo a criação de um Fundo Nacional para a Transição Energética.
Além dos ganhos ambientais, os participantes reforçaram os impactos econômicos e sociais promovidos pelos biocombustíveis. O biodiesel, por exemplo, foi citado como vetor de geração de empregos, redução de importações e fortalecimento da agricultura familiar.
“O Brasil pode liderar a economia de baixo carbono. Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta e condições reais de avançar com protagonismo global. Biocombustível não é discurso, é produção, tecnologia e oportunidade concreta para o país”, reforçou Goergen.
A Coalizão pretende atuar junto ao Executivo e ao Legislativo na formulação de propostas, metas e instrumentos que acelerem a transição energética brasileira, com foco em inovação, sustentabilidade e competitividade internacional.

