Congresso reúne setor sucronenergético do Nordeste no Recife para discutir tecnologias
20-03-2026

Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco
Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

Evento, promovido pela Pró-Usinas JornalCana, tem na programação painéis e cases de sucesso de usinas da região

Por Thalis Araújo e Carlos André Carvalho

Executivos, produtores, técnicos e especialistas do setor sucroenergético do Nordeste se reuniram na manhã desta quinta-feira (19), no Recife, durante o Congresso Usinas de Alta Performance do Norte-Nordeste (UAPNE), promovido pela Pró-Usinas JornalCana. Entre os presentes no evento, estava o presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco, Eduardo de Queiroz Monteiro.

A finalidade do encontro, que está sendo realizado na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), na Imbiribeira, Zona Sul da cidade, é colocar em discussão, por meio de palestras e cases de sucesso, os desafios, as tecnologias e os caminhos da bioenergia no Nordeste, região estratégica na transição energética. 

Entre as palestras da manhã, um dos destaques foi “Mecanização da Colheita da Cana Inteira - A Hora da Verdade”, comandada pelo diretor agrícola do Grupo EQM, Heleno de Barros. Na apresentação, a segunda do dia, Barros explicou que esse modelo de colheita visa minimizar os impactos ambientais, como as queimadas, e suprir a demanda por mão de obra. Contudo, impõe desafios como a necessidade de adaptação, altos investimentos e impactos sociais, principalmente na geração de emprego.

“A gente tem vivido sob uma crise de oferta de mão de obra. De certa forma, viemos contribuir com soluções para os desafios do corte de cana nas áreas de encosta de Pernambuco. É um fator que limita o crescimento do estado. Fica para esse caso a resolução de continuar o corte da cana crua nessas áreas, uma vez que não existem máquinas apropriadas para isso", afirmou Barros.

Piloto

A Usina Cucaú realiza testes para uma colheita mecanizada usando a colhedora chinesa 4GD1 fabricada pela FM World Agriculture. O equipamento permite operar com segurança áreas de declive de 20º a 25º, o que representa uma inclinação de 36% a 46% aproximadamente. As colhedoras comuns trabalham com 11% de inclinação. A experiência é importante porque uma parte da Zona da Mata de Pernambuco apresenta muitos declives, dificultando a mecanização.

De acordo com a NovaBio, a moagem regional na safra 2025/26 deve alcançar cerca de 59 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Ao mesmo tempo, o setor vem passando por uma reconfiguração produtiva: enquanto a produção de açúcar apresentou retração de 10,8%, a de etanol cresceu 12,7%, impulsionada principalmente pelo aumento da produção de etanol anidro.

A programação do dia foi aberta com a palestra “Excelência Agrícola e os Desafios da Mecanização da Colheita”, pelo superintendente agrícola do Grupo JB, Hugo Cavalcanti. Para o executivo, o setor vai superar os desafios, que foram elencados durante a palestra: adequação de lotes, plantio mecanizado, sistematização de terrenos, colhedoras específicas, variedades de cana e redefinição de espaçamentos.

“Durante uma crise, a gente gera cortes que aparentam falsas economias. Precisamos, na verdade, investir para virarmos o jogo. É o que está acontecendo aqui. Desse encontro vão sair ideias e muitas coisas boas. O Nordeste é pioneiro. Nós estamos inseridos onde realmente a cana tem história e vai continuar sendo assim”, disse ele.

Outros temas

Ainda na parte da manhã, os presentes tiveram a oportunidade de conhecer os cases da Usina Santo Antônio (Otimização Logística e das Operações Agrícolas com Inteligência Artificial), apresentado por Roderick Alex Luna, analista de Sistema na Central Açucareira Santo Antonio; da Agrovale (Inovações na Produção do Etanol: Redução de Amido por Ação Enzimática e Fermentação Endógena), por Lucas Amaro dos Santos, gestor de Produção Industrial da Agrovale.

Outros cases apresentados foram o da Usina Coruripe (Tecnologia & Inovação na Cogeração e Utilidades), por Arthur Moraes, coordenador de Mecânica Industrial da Usina Coruripe Matriz; e o da Usina São José do Pinheiro (Gestão Inteligente para Alta Eficiência Industrial), por Eduardo Saldanha, gerente industrial, e Marcos Chagas, engenheiro químico da USJP.

Os outros painéis da manhã foram “Da Fermentação às Biorrefinarias: Como a Biotecnologia Está Ampliando o Valor das Usinas”, comandada pelo diretor de Transferência de Tecnologia da Fermentec, Fernando Henrique Carvalho Giometti; “Indústria Sucroalcooleira 4.0: Eficiência e Qualidade com Tecnologia NIR, apresentado pelo gerente de vendas da Buchi, Nivaldo Carvalho. O executivo de Contas da Tebe Sensores, Victor Hugo Silva, apresentou o painel “Inteligência Artificial na predição de Fallhas Críticas – Manutenção e Dados Como Fatores Estratetégicos”.     

Já o head de Desenvolvimento e Aplicação da Soteica do Brasil, Douglas Mariani, comandou a palestra “Plataforma de Otimização e Gestão Operacional e os Desafios do NE” e o engenheiro químico e diretor técnico da JS Instruções Operacionais, Jansen de Sousa, ficou encarregado da palestra “Gestão Operacional Robusta em Fábrica de Açúcar: Como Melhorar e Medir o Desempenho”.

Encerrando as atividades da manhã, o gerente regional da Veolia, Antônio Carlos Gomes Ferreira Jr. apresentou o painel “Eficiência Energética e Alta Disponibilidade: a Nova Geração de Antincrustantes para Evaporação no Setor Sucroenergético”.

A programação continua à tarde com mais dois painéis. O primeiro, às 14h30, é “Nova Geração – Projetando o Futuro do Setor", com as participações de André Meirelles (purchasing management da Usina União e Indústria), Carolina Maranhão Fernandes de Arruda (diretora estatuária e acionista da Usina Santo Antônio) e Joanna Costa (diretora de Marketing, Eventos e Infraestrutura do Grupo EQM), tendo Josias Messias como moderador. 

O último painel do dia, às 15h30, será "Superação dos Desafios Institucionais e Estruturais do Setor Bioenergético Nordestino", com Renato Cunha (presidente-executivo da NovaBio e presidente do Sindaçúcar-PE), Armando Monteiro Bisneto (diretor-presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape) e Diogo Manoel de Sá (Banco do Nordeste) e moderação do presidente do Sindalcool-PB, Edmundo Coelho Barbosa.

Fonte: Folha de Pernambuco