Consecana-SP publica revisão e garante adicional ao produtor
22-04-2026
Circular formaliza 4,5% ao produtor e define nova diretoria
Andréia Vital
A revisão do modelo Consecana-SP foi formalizada na sexta-feira (17), com a publicação da Circular nº 01/2026, que consolida novas regras de remuneração da cana-de-açúcar. A medida estabelece um fator adicional de 4,5% garantido exclusivamente ao produtor.
A atualização decorre do Memorando de Entendimento firmado entre União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA), que embasou tecnicamente a revisão do modelo.
O percentual não integra a fórmula original, preservando a estrutura do sistema e evitando impacto automático sobre contratos fora do padrão. Na prática, o ajuste corresponde à aplicação de um fator de 1,045 sobre o valor da tonelada de cana. Para novos contratos, esse índice passa a funcionar como referência mínima de remuneração.
A circular estabelece que o benefício se aplica apenas a contratos totalmente aderentes ao modelo Consecana-SP, conhecidos como padrão. Isso inclui cumprimento integral das diretrizes técnicas e vínculo com as entidades do sistema.
O ajuste será retroativo às safras 2024/25 e 2025/26 para contratos elegíveis, com prazo de até 120 dias para liquidação, contado a partir de 27 de março, com data-limite em 27 de julho de 2026.
A revisão também institui um piso técnico de remuneração, aplicado quando o valor calculado pela fórmula tradicional ficar abaixo do mínimo estabelecido.
O modelo passa a contar com auditoria externa periódica para verificação da apuração do ATR, incluindo captação de dados, premissas técnicas e qualidade das informações. A entidade técnica independente responsável pelos indicadores será mantida, com exigência de antecedência mínima de uma safra para eventuais mudanças no sistema.
A assembleia que aprovou a revisão também definiu a nova diretoria do Consecana-SP. Evandro Gussi assume a presidência da entidade, enquanto Roberto Cestari foi eleito vice-presidente.
Pela indústria, integram Antonio Carlos Previte, da Ferrari Agroindústria, Elias Eduardo Rosa Georges, da São Martinho, Fabiano Zilo, da Zilor, Felipe Fernandes Mendes, da Tereos, Fernando Barbano, da Raízen, Luciano Rodrigues, da UNICA, Luiz Roberto Kaysel Cruz, do Grupo Pedra, Marcelo Annes, da Bunge, e Wagner Louwel Oliveira Peroto, da Atvos.
Entre os produtores, participam Almir Torcato, da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo Canaoeste, Eduardo Sandrini Simprini, da Associcana, Élcio Rodrigues Faria, da Asforama, João Ulisses de Andrade, da Canaroeira, José Odilon de Lima Neto, da Assovale, José Guilherme Nogueira, da ORPLANA, Marcelo Osto Paro, da Agropecuária Pau D'alho, Oscarino Martins da Silva Neto, da Aprocana, e Rafael Bordonal Kalaki, da Socicana.
O modelo passa a prever revisões periódicas a cada cinco anos, com base em estudos técnicos independentes.

