Contra tudo concorrendo para baixas, açúcar sobe por washout de usinas indianas, diz analista
17-11-2022
Tentar entender a valorização semanal do açúcar, frente a dados invertidos de fundamentos, precisa ser buscado no washout das usinas indianas.
Por Giovanni Lorenzon
Elas entregaram açúcar para outra trading, com Nova York acima de 19 centavos de dólar por libra-peso, e deram o cano em contratos fixados antes, a cotações menores. Vão pagar uma multa, mas dentro da lei.
A versão equilibrada é do analista Arnaldo Correa, da Archer Consulting, que esclarece ainda: sim, “tecnicamente, o açúcar vai alcançar o mercado internacional de qualquer jeito, mas, enquanto isso, as estruturas de hedge feitas pelas tradings que são partes dessa negociação precisaram ser desfeitas e NY pode ter sido contagiado por isso”.
Se houve reação ao “default” dos indianos, está precificado ainda nesta segunda (14). O dólar internacional cai, o petróleo também, mas o adoçante avança novamente.
Está a mais 0,87%, acima de 19,80 centavos de dólar por libra-peso, às 15h10 (Brasília).
No mesmo artigo, Correa pontua que a moeda brasileira, ainda por cima, se desvalorizou frente à divisa americana, em pouco mais 5%, e os valores do açúcar em NY, em reais, “apreciaram R$ 147 por tonelada em comparação a semana anterior”. A base de conversão das moedas é o Non-Deliverable Forward (NDF), contrato a termo de moeda com liquidação financeira.
No meio do caminho do açúcar, tirando “alguma coisa inesperada [que] acontece e empurra os preços para a direção oposta àquela que todos esperavam”, o especialista em sucroenergia enumera o que já é sabido.
Recessão econômica global (que não oferece suporte para indústrias carregarem estoques), preços atuais que ajudam a Índia a desovar mais açúcar, incertezas quanto ao futuro dos biocombustíveis no Brasil em relação aos impostos e mais commodity brasileira e indiana em 2023.
Como Maurício Muruci, da Safras & Mercado diz, a Índia já fez hedge de 1 milhão de toneladas contra NY, e deverá fazer de mais 5 milhões/t. Se estão comprando posições, acabam também forçando altas.
Fonte: Money Times

