Cosag inicia 2026 sob comando de Tereza Cristina
13-02-2026

Acordo Mercosul União Europeia, juros e custos pressionam agenda do agro

Por Andréia Vital com informações da Fiesp

O Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp abriu os trabalhos de 2026 com mudança na presidência e foco nos impactos da geopolítica sobre o agronegócio brasileiro. A reunião de 9 de fevereiro marcou a posse da senadora Tereza Cristina no comando do colegiado, em substituição a Jacyr Costa Filho, que deixou o cargo na virada do ano após longo período à frente do conselho.

Em publicação recente, Costa Filho afirmou que encerrou seu último mandato após liderar um dos mais prestigiados fóruns do setor, um dos 14 conselhos temáticos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, a sucessão representa a passagem do bastão a uma liderança reconhecida no agronegócio. O executivo destacou que seguirá como conselheiro e dará apoio à nova presidente. O convite para assumir o Cosag, relembrou, partiu do então presidente da entidade, Paulo Skaf.

Na abertura dos trabalhos, Tereza Cristina concentrou a discussão nos efeitos da geopolítica e no acordo Mercosul União Europeia, assinado em janeiro de 2026. Vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado, ela avaliou que o entendimento com o bloco europeu está distante de um modelo pleno de livre comércio, mas representa um avanço possível diante do atual ambiente internacional.

O modelo negociado prevê aplicação provisória acompanhada de salvaguardas consideradas desproporcionais. Produtos como carne bovina já exportam volumes superiores ao limite de 5% previsto nos gatilhos automáticos, o que amplia o risco de acionamento. Para a senadora, práticas protecionistas permanecem no horizonte e exigirão coordenação entre setor público e privado.

No cenário doméstico, a presidente do Cosag apontou como desafios a regulamentação da reforma tributária, o patamar elevado de juros e o avanço do endividamento rural, além do crescimento dos pedidos de recuperação judicial no campo.

Ex-ministro da Agricultura entre 1998 e 1999, Francisco Turra destacou a expansão da produção brasileira de grãos, que passou de 75 milhões de toneladas há 25 anos para 370 milhões de toneladas atualmente, reforçando o papel do país na segurança alimentar e na oferta de energia de menor intensidade de carbono.

Já o ex-ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, Roberto Rodrigues afirmou que custos de produção, situação fiscal e ausência de estratégia de longo prazo limitam a competitividade. No exterior, citou o endurecimento de exigências sanitárias e ambientais por parte de países industrializados.

Ao final da reunião, João Guilherme Ometto e Roberto Rodrigues foram nomeados presidentes de honra do Cosag. Rodrigues também recebeu a Ordem do Mérito Industrial São Paulo no grau Grã-Cruz, honraria criada em 2007 e já concedida a cerca de 50 autoridades.